Divulgação
Divulgação

Clichês embalam crimes passionais

Com apresentação de Adriane Galisteu, o canal Investigação Discovery exibe a produção americana 'Paixões Perigosas'

Cristina Padiglione - O Estado de S.Paulo,

08 de maio de 2013 | 02h09

Some um punhado de clichês sobre crimes passionais, com grandes histórias reais sobre o assunto e aí está o título Paixões Perigosas (Deadly Affairs): em 10 episódios, a nova série do canal Investigação Discovery é protagonizada por personagens gringos, mas seus enredos são de fato universais e a embalagem do pacote mereceu narração e apresentação de voz bastante familiar à plateia brasileira. A cada edição, Adriane Galisteu faz intervenções em primeira pessoa e se apresenta em trajes e cenários capazes de aludir às situações ali expostas. A estreia está marcada para o dia 24, uma sexta-feira, e, acredite: há uma dose de humor no tom vigente.

A própria Galisteu, ao apresentar um dos episódios a jornalistas, ontem, em evento promovido pelo canal, admitiu ao Estado que não conteve o riso em várias ocasiões. "Em um dos episódios... posso falar?", pergunta ela à equipe de comunicação do canal, para continuar: "Em um dos episódios eu tinha que dizer que o jardineiro era 'gostosééérrimo!'. Eu perguntei (no set): 'vocês têm certeza que querem que eu diga isso?' Na verdade, eu tinha que dizer que ele era 'gostoso', mas me deu vontade de falar 'gostosérrimo'."

No episódio apresentado ontem, o primeiro da série, intitulado Longe Demais, o casal Melinda e David, vistos como exemplo de devoção conjugal, terão o casamento abalado - e a morte do marido consumada - após a chegada de um novo amigo ao círculo doméstico. Na ocasião, Galisteu alinhava a história com frases como "Embora seja bom ter amigos, num casamento, três é demais". Ou então "Em uma cidade cristã, onde uma saia mais curta pode ser tabu, os boatos corriam soltos". E, finalmente, "quando a mulher apronta por aí, o marido é sempre o último a saber".

Para Fernando Medin, diretor do grupo Discovery no Brasil, o que mais espantou o canal no processo de pesquisas que resulta na escolha de programas como este foi ouvir de brasileiras que elas gostam de histórias com "finais felizes". "Na verdade, elas querem dizer, com isso, que esses crimes encontram uma justiça em seus desfechos, mas não há nesses episódios nada de feliz, naturalmente", conclui Medin.

Questionada se o canal não poderia produzir uma série similar com crimes passionais no Brasil, Galisteu lembrou que aqui os casos não têm punições tão exemplares como aqueles vistos durante a série.

Outros títulos dos episódios a seguir não deixam dúvidas sobre o foco do programa: Final Fatal, Guerra dos Sexos, Trabalho e Prazer, Aquisição Letal, Obsessão Mortal, Ambição Homicida, Morte Súbita, Predador ou Presa e O Perigo ao Lado batizam as histórias. Nessa última, o casal de namorados Kay e David conhecem seus novos vizinhos e então um romance improvável se torna uma obsessão mortal. Outro casal enfrenta algo semelhante quando um novo pastor chega à cidade.

As tramas costuram tragédia e moralismo ao modo americano, sempre com reconstituições dramatizadas dos casos contados e depoimentos de amigos ou parentes que testemunharam o contexto que precedeu cada crime.

As apresentações gravadas com Galisteu consumiram um mês de expediente da loira, ainda no final do ano passado, e foram conduzidas pela produtora paulistana Dogs Can Fly. O figurino valoriza a sensualidade da apresentadora, que surgirá trajando roupa de banho à beira da piscina ao final do primeiro episódio, enquanto dá conselhos à plateia: "mantenha suas amigas por perto e as amigas do seu marido, mais perto ainda."

Quem há de desafiá-la?

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.