Claudio Edinger comemora 30 anos de carreira com livro

Fotógrafo-documentarista, Claudio Edinger faz um balançodos 30 anos de carreira com um livro retrospectivo, Isso é queé, que será lançado na quinta, acompanhado de exposição. Nele,agrupa os principais trabalhos em 200 fotos (como os famososensaios no Hospital Psiquiátrico Juqueri e no Chelsea Hotel, emNova York) e reforça a unidade entre eles. "Ao longo do tempo,juntei muitos projetos e alguns parecem não ter ligação entresi", teoriza Edinger. A idéia foi criar uma síntese do todo e mostrar que, deuma forma geral, como fotógrafo, ele sempre procurou instigarquestionamentos, filosóficos até. Esses questionamentos nãobrotam do nada. Edinger lembra pontualmente que o que o levou àfotografia foi um curso de Filosofia na escola. A tentativa decompreensão do homem foi a mola propulsora. "A gente vive muitona inércia, leva uma vida sem entender nosso lugar." Por isso, sua eterna investigação do outro, seja em retratos, emsituações de loucura, em comunidades organizadas oucompletamente caóticas. Edinger não tem receio, muito menospreguiça desse processo. É do tipo que se envolve no ambiente deseus personagens, mesmo que isso implique num longo período deconvivência. Para ele, não existe outra fórmula. "Para conhecera pessoa, você tem de conversar bastante, passar o tempo comela", explica. "Morei dois anos com os judeus ortodoxos, cincoanos no hotel Chelsea, me internei no Juqueri. É importante oenvolvimento a fundo nas coisas, para retratar essa intimidade."Em início da carreira, essa postura o ajudou a descobrir econstruir a própria linguagem. Daí seus ensaios provocativos e, muitas vezes, meioperturbadores. Se Edinger consegue incitar discussões ou mesmocontrovérsias a partir deles, sente então que cumpriu seu papelprimordial. E da mesma maneira que lança dúvidas para o mundo,seu novo livro traz perguntas e não respostas. Foi assim desde o início e, segundo ele, assimcontinuará pelos próximos 30 anos, mesmo percebendo suafotografia um pouco mais intimista de uns tempos para cá.Formado em Economia, a relação mais estreita com a fotografianasceu das horas passadas no laboratório fotográfico dafaculdade de arquitetura. Mas ele acredita que a fotografia éuma força, uma conjunção do universo a favor (ou não) doprofissional. E lembra-se que, quando estava na fase dedescobrir se queria ser ou não fotógrafo, o destino lhe deu atão almejada resposta, colocando-o no lugar certo, na hora certa Foi durante a parada militar de 7 de Setembro de 1975. Seucampo de visão captava não só o desfile: um anúncio da Coca-Colaparecia aprovar tudo aqui, com a frase "Isso é que É", enquantooutro anúncio, este da Esso, confirmava com "Extra Certo e SuperCerto." A foto não foi publicada em plena ditadura no Brasil,mas deu certeza a Edinger que estava no caminho correto. Agora,ela estampa a capa de seu novo livro, que simbolicamente marca ofim de um ciclo. Ele próprio escreve: "Todo fotógrafo serájulgado pelas imagens que deixou, não por seus projetos. Sentique havia chegado a hora de prestar contas de todos esses anosde pesquisa.Isso É Que É. Cláudio Edinger. Editora DBA. 228 págs.R$ 149. Galeria Arte 57. Rua Tatuí, 104, telefone 3081-9800. 5.ª 20 h "

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