Claudia Moreira Salles abre mostra

A designer exibe em São Paulo peças inéditas nas quais usa o concreto e o alumínio

CAMILA MOLINA - O Estado de S.Paulo,

28 de novembro de 2012 | 02h12

A madeira é o material de excelência das criações da designer Claudia Moreira Salles, mas ela se viu motivada a trabalhar também com o concreto e o alumínio quando convidada a realizar uma exposição de peças únicas e com edição limitada para a Firma Casa, em São Paulo. "Estava interessada no contraste de texturas e de cores", afirma a designer, que inaugura hoje no espaço expositivo da loja a mostra Convívios, reunindo cinco peças inéditas, entre mesas, bancos e um aparador criados em 2012.

"O princípio do design é a reprodução das obras; uma produção limitada só se justifica se o material for único e se seu processo de fabricação for muito trabalhoso", diz Claudia Moreira Salles, que cursou, na década de 1970, no Rio, a Escola Superior de Desenho Industrial (Esdi), na época herdeira dos preceitos da Escola de Ulm e da Bauhaus de criação de obras acessíveis a um grande número de pessoas. "Usei dois tipos de concreto nessas peças, um mais tradicional e outro de ultra performance, importado dos EUA, que é mais leve e fácil de moldar", conta a designer.

Entre as obras criadas por Claudia, o banco (sem título), de 2,50 metros de comprimento, é um destaque ao unir vigas de demolição e pedra. "É uma peça única, que tem como elemento um apoio cilíndrico ovalado, feito de concreto moldado", conta a designer. Um móvel pesado com suas caibras de madeira maciça. Já a mesa Cancan, com muitas pernas, tem 2,80 m x 1,10 m, e é uma obra desmontável e realizada com o concreto de ultra performance. "Tecnológico é o material, não a técnica, que é tradicional", completa Claudia Moreira Salles. A mesa Pacman, cuja forma se refere ao ícone do videogame, tem uma base de madeira e sua superfície "irregular", criada com alumínio fundido em molde artesanal com pedrinhas de areia. A obra, assim, tem como qualidade a relação entre o liso e o rugoso e uma dualidade de cores naturais de seus elementos.

O apreço por uma artesanalidade, unido ao ato sofisticado de junção de materiais de diferentes texturas, configuram ao trabalho singular de Claudia "uma firmeza delicada e quase silenciosa", como já definiu a crítica Adélia Borges. "Meu design não é arte, mas considero que a única proximidade com o artístico seria o minimalismo americano pela geometria", diz a designer. Ela conta ainda que vai fazer uma grande mostra de suas novas peças e de criações anteriores - como a poltrona Cosme Velho (2003), feita com palha de cana-da-índia - em maio de 2013 na Galeria Espasso, em Tribeca, Nova York. Na ocasião, Claudia lançará um livro sobre sua produção mais recente pela Bei Editora, com texto de Karen Stein.

CLAUDIA MOREIRA SALLES

Firma Casa. Al. Gabriel Monteiro da Silva, 1.487, tel. 3385-9595.

Até 2/1. Abertura nesta quarta-feira, 28, às 18 h.

Tudo o que sabemos sobre:
Claudia Moreira Salles

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.