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Clássicos reinventados: Burberry atualiza ícones de seu repertório

Coleção do verão 2019 da grife britânica marca a estreia do estilista Riccardo Tisci na sua direção criativa

Sergio Amaral, O Estado de S.Paulo

18 Setembro 2018 | 05h30

Uma das estreias mais aguardadas da temporada de moda do verão 2019, a do italiano Riccardo Tisci à frente da Burberry, em Londres, foi (surpreendentemente) tudo o que não se esperava dela. Em tempos de megaproduções montadas em locações inusitadas, com convidados estelares e sem economia de artifícios para causar nas redes, seu primeiro desfile para a tradicional casa britânica focou no essencial: design de roupas.

 foram muitas em 133 looks femininos e masculinos, cheios de sobreposições. Batizado de Kingdom (Reino), o début de Tisci na Burberry foi marcado pela reinterpretação do legado da grife para o presente com um suave toque de culturas britânicas, como o punk. Sem abalar as estruturas da grife com uma apresentação-terremoto, o estilista parece insinuar uma transição pacífica entre passado e futuro. “Esse desfile é uma celebração de culturas, de tradições, dos códigos dessa histórica casa de moda e do ecletismo que faz um Reino Unido lindo e diverso”, afirma o diretor de criação.

Dividida em três momentos – alfaiataria clássica, rua e noite –, a apresentação é alinhavada pelos desdobramentos dos icônicos trench-coats da grife tanto na cartela de cores em que reinam os beges, os tons terrosos e os tons lavados, quanto em peças em que elementos de sua construção são replicados em saias, vestidos e casacos. São eles, sem dúvida, a peça-chave da apresentação, relidos em versões diversas, das mais limpas e básicas até as luxuosas, com pérolas e plumas bordadas ou com o tradicional xadrez da Burberry construído em tweed.

No feminino, destacam-se os vestidos e conjuntos leves e fluidos, com saias plissadas combinadas a camisas, muitas delas com estampas de pele animal, a camisaria masculina, os vestidos e tops de renda que evocavam camisolas e peças de underwear, além da bela série de longos de noite ao final, em preto com discretas decorações de franjas e brilhos. 

No masculino, reinam os ternos elegantes, com calças largas e blazers de abotoamento simples ou duplo, assim como um bloco mais casual, de pegada streetwear, com jaquetas estilo bomber, bermudões, ponchos, polos esportivas com estampas localizadas e as maxipochetes.

Além do trench, outros códigos dessa nova fase da Burberry são os lenços de seda, usados tanto de maneira funcional (em cintos, por exemplo) quanto decorativas, seu típico xadrez desconstruído em listras, e seu novo monograma, construído como uma trama formada pelas letras T e B encaixadas a partir de uma assinatura usada pelo fundador da grife, Thomas Burberry.

Formado na prestigiada Central Saint Martins, celeiro de talentos de onde também saíram nomes, como Alexander McQueen, John Galliano e Stella McCartney, Riccardo Tisci esteve por 12 anos à frente da Givenchy, recolocando a marca entre as mais desejadas da moda contemporânea.

Com vasta experiência em design, ele tem outro atributo valioso: 2,3 milhões de seguidores no Instagram e um ótimo relacionamento com tops da moda, das artes e do entretenimento, como a empresária Kim Kardashian, a modelo Naomi Campbell, a estilista Donatella Versace e a artista plástica Marina Abramovic. 

Mais de Londres. Ainda entre os destaques da Semana de Moda de Londres, que termina hoje, estão os desfiles de Victoria Beckham e de JW Anderson.

A ex-Spice Girl aproveitou os dez anos de sua marca para fazer seu primeiro desfile na temporada inglesa. Mostrou um guarda-roupa chique e versátil, calcado em uma alfaiataria esperta, com ternos fluidos, saias-lenço, túnicas e vestidos polo.

Na sua marca própria, o diretor criativo da Loewe e prodígio irlandês Jonathan Anderson abandona, ao menos por ora, os looks sem gênero para investir numa coleção feminina em que um mood boêmio e elementos folclóricos dão o tom.

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