Clássicos e raridades em versões para cá de 2001

Clássicos e raridades em versões para cá de 2001

Quando recebeu o convite do Sesc Pompeia para fazer um show com canções de Tom Zé, Lucas Santtana teve carta branca para escolher o repertório. "Como era um show para dar a nossa visão, com nossos arranjos, procurei as que eu mais gostasse de cantar", diz. "Escolhi também as que tivessem mais a ver com o nosso universo, como Fliperama, que é incrível e Tom Zé quase não toca."

, O Estadao de S.Paulo

25 de março de 2010 | 00h00

A música de Lucas Santtana tem vários pontos de conexão com a de Tom Zé. E o roteiro também faz a ligação entre as próprias criações do homenageado. Namorinho de Portão tem a ver com Sofro de Juventude. Feira de Santana, Nave Maria e 2001 transitam pelo mesmo universo.

Uma que Lucas e seu grupo Seleção Natural - Regis Damasceno (guitarra), Rian Batista (baixo), Bruno Buarque (bateria e mpc) e Dustan Gallas (piano e sintetizador) - já gravaram e virou um dos hits de seus shows é Ogodô 2000. Cademar, Tô e Ui (Você Inventa) também foram selecionadas a partir do mergulho em toda a obra de Tom Zé. Mas foi o clássico extemporâneo Estudando o Samba (1975) que deu o grande estalo em Lucas.

Coleção. Filho do produtor Roberto Santana - que assinou trabalhos fundamentais dos baianos tropicalistas e entre outras coisas apresentou Gilberto Gil a Caetano Veloso -, Lucas descobriu Tom Zé no meio da coleção de discos do pai por acaso. Quando ouviu Estudando o Samba, aos 19 anos, tinha feito um pouco de faculdade de música na Bahia, que tem toda uma tradição de Kollreuter, de música experimental. "Peguei muitos concertos na reitoria, Lindenberg ainda era vivo, Smetak ainda era vivo. Tudo aquilo para mim até então parecia muito distante da música popular. Eram dois universos de que eu gostava, mas que pareciam que nunca iriam se encontrar. Quando ouvi Estudando o Samba foi a primeira vez que vi que barulho, ruído, experimentalismo e música popular podem muito bem conviver harmonicamente."

Herança. Lucas diz que aquele disco abriu sua cabeça para a música popular e lhe deu muitas possibilidades de criação. "Acho que tudo que faço tem herança desse disco, do que Tom Zé já fez. Borges fala que ninguém é nada sozinho. A gente é o acúmulo do tempo, de tudo o que já existe."

Como reinventar no palco aquele que já foi considerado "o pai da invenção" por um crítico do jornal The New York Times? O título do show, Remixando Tom Zé, pode induzir o público a achar que se trata de um trabalho eletrônico com DJ, mas não é. "Vamos fazer versões com as influências que a gente tem", diz Lucas. "Sofro de Juventude tem uma batida de afrobeat, igual Fela Kuti, Namorinho de Portão virou um skazinho. Enfim, seria como se a gente tivesse feito aquelas músicas, mas respeitando as melodias, as harmonias." / L.L.G.

TRÊS CANÇÕES

As preferidas do repertório

l2001

"É uma coisa tão moderna, que ainda nem está agora, a gente ainda vai viver isso."

Namorinho de Portão

"Essa música é de 1968. Tudo que a letra está dizendo, acho que a única palavra datada é Chacrinha, é muito atual. Poderia ter sido feita hoje."""""

Fliperama

"Das novas gerações ninguém fez música sobre videogame. Tom Zé fez dez anos atrás. Não é à toa que a garotada simpatiza com ele e se identifica com essas músicas"

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