Clássicos do rock fazem o sucesso da Kiss FM

Imagine uma rádio em que Led Zeppelin, The Beatles, Rolling Stones e The Who, entre outros dinossauros do rock, são figuras constantes na programação. Desde meados do ano passado, a Kiss FM resolveu contrariar todas as determinações mercadológicas e apostar justamente nesseformato: "classic rock" na veia. Na semana passada, a emissoraganhou sede definitiva na Avenida Paulista. "Era um conceitoque faltava à rádio brasileira", constata o diretor-geral daKiss, Adhemar Altieri, que, entre outras experiências na áreajornalística, foi diretor de jornalismo da Rádio Eldorado. Elelembra que a idéia é adotada há anos por rádios norte-americanase européias."Nós nos concentramos na fase mais produtiva e forte do rock,principalmente nos anos 60 e 70", explica ele. Além dos célebres hits do gênero, tornaram-se obrigatórias músicas pouco conhecidas para grande parte dos brasileiros. Isso porque, segundo Altieri, o som de muitasbandas não chegou ao Brasil. "Nas décadas de 60 e 70, eradifícil importar produtos para o País. Nós estamos tocandomúsicas que não são novas, mas são inéditas para o públicobrasileiro."A emissora valoriza também o rock dos anos 50 e 80. Oblues e os clássicos do rock nacional - representados pela JovemGuarda, Os Mutantes, Casa das Máquinas e tantos outros - nãoforam esquecidos. O ouvinte tem espaço para opinar ou darsugestões através do site www.kissfm.com.br.Criado por Adhemar Altieri, o projeto original da Kiss FMpermaneceu engavetado durante cinco anos. Desde 1996, a rede CBS- que adquiriu a freqüência 102.10 (em que hoje é transmitida aKiss) - experimentou algumas vezes colocar no ar uma rádiosemelhante. Sem sucesso, a rede apostou na fórmula de Altieri ea colocou no ar em julho do ano passado.Audiência - O diretor-geral da rádio comemora a boaaceitação do público, formado pelas mais variadas faixasetárias. "Temos mais de 27.700 pessoas cadastradas desde que osite foi ao ar, em setembro do ano passado." Entre os devotosao rock, anônimos e gente famosa. "Não havia espaço na rádiopara o classic rock", acredita Gastão Moreira, apresentador doprograma Musikaos, da TV Cultura. Ouvinte assíduo darádio, ele a sintoniza no carro, quando está indo ou voltando dotrabalho. A médica Selma Helene, de 41 anos, também aposentouseus CDs e ouve a Kiss nos momentos solitários em que estádirigindo. "Ela resgatou artistas menos populares", diz. O VJda MTV Thunderbird é outro fanático confesso. "O programacom clássicos de rock nacional (Made in Brasil) é o meu favoritona rádio." Indagado se um dia a Kiss poderá mudar seu formatopor pressões comerciais, Altieri tranqüiliza os ouvintes. "Nãohá possibilidade de isso acontecer."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.