Clássicos da literatura voam das bancas

Há 26 semanas, bancas de jornais de São Paulo, Rio e Espírito Santo estão vendendo clássicos da literatura universal a preço popular em edições de qualidade. É a coleção Obras-Primas, da editora Nova Cultural, que a cada semana lança um livro consagrado nas bancas. O sucesso da coleção fez a editora anunciar a publicação de mais dez títulos, e com isso a Obras-Primas, programada para editar 40 livros, vai chegar aos 50 até junho. Outra novidade é que agora os estados de Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul começam a receber a coleção, a partir do primeiro livro, Dom Quixote. Apesar de um recente - e grande - aumento no preço dos livros, as vendas vão bem. Desde o início de janeiro, o preço dos livros passou de R$ 9,90 para R$ 11,90. Mesmo assim, a diretora da Nova Cultural, Janice Flórido, diz que as vendas não caíram. As explicações para aumentar o preço são bem tradicionais: tintas de impressão e papel de capa importados. O fato é que os 26 livros editados venderam cerca de 1,7 milhão de exemplares. É com base nesse resultado, e mais cerca de 400 e-mails que chegam à editora todos os dias com sugestões e pedidos, que a Nova Cultural vai prolongar a coleção Obras-Primas. Os novos títulos são As Viagens de Gulliver, de Jonathan Swift, Os Três Mosqueteiros, de Alexandre Dumas, Casa de Bonecas, de Henrik Ibsen, Ivanhoé, de Walter Scott, Lady Barberina e A Outra Volta do Parafuso, de Henry James, O Ateneu, de Raul Pompéia, Marília de Dirceu, de Tomás Antônio Gonzaga, Suave é a Noite, de Scott Fitzgerald, As Flores do Mal, de Charles Baudelaire, e A Casa das Sete Torres, de Nathaniel Hawthorne. O motivo do sucesso, para Janice Flórido, é mesmo o preço baixo. "Um Dom Quixote numa livraria custa em torno de R$ 50. Mesmo com o aumento, os livros continuam num preço muito acessível", diz. Os Sertões, clássico agora centenário de Euclides da Cunha, Drácula, de Bram Stoker, e o próprio Dom Quixote, de Miguel de Cervantes, são alguns dos mais vendidos da coleção. A coleção Obras-Primas é, na verdade, a reedição de um projeto editorial da editora Abril Cultural, que lançou diversos clássicos da literatura universal a baixo preço nos anos 70 e 80. Com a dissolução da Abril Cultural, a Nova Cultural herdou todos os projetos que antes eram realizados pelo grupo Abril, e detém o direito de republicá-los. A boa resposta à Obras-Primas pode ressuscitar outras antigas publicações da Abril Cultural, como a coleção Nosso Século, que fazia uma espécie de história ilustrada do século 20, e está nos planos de reedição da Nova Cultural.

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