GAbriela Biló/Estadão
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Rodrigo Maia pede afastamento de Roberto Alvim; veja outras reações

Secretário especial da Cultura citou trechos do discurso do ideólogo nazista Joseh Goebbels para anunciar planos do governo

Ludimila Honorato, O Estado de S.Paulo

17 de janeiro de 2020 | 09h01

O vídeo em que o secretário especial da Cultura Roberto Alvim anuncia o Prêmio Nacional das Artes e cita trechos do ideólogo nazista Joseh Goebbels repercutiu entre as classes artística e política. O presidente da Câmara dos Deputados Rodrigo Maia foi ao Twitter comentar o caso e sugeriu que o governo "deveria afastá-lo urgentemente do cargo". Após diferentes personalidades comentaram o caso, o presidente Jair Bolsonaro decidiu demitir o secretário da pasta.

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Davi Alcolumbre, presidente do Senado, que diz ser o primeiro presidente judeu do Congresso Nacional, disse que é "inadmissível termos representantes com esse tipo de pensamento". O parlamentar também pediu o "afastamento imediato de Alvim do cargo.

A música escolhida como trilha de fundo no vídeo de Alvim também chamou atenção: é parte de uma ópera de Richard Wagner, artista que foi importante para Hitler, segundo ele mesmo conta em sua autobiografia.

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Até mesmo apoiadores do governo se manifestaram contra o discurso do secretário. O escritor Olavo de Carvalho, apontado como guru do governo Jair Bolsonaro, escreveu no Facebook que "é cedo para julgar, mas o Roberto Alvim talvez não esteja muito bem da cabeça. Veremos".

Winston Ling, empresário brasileiro que tem afinidade com o presidente da República, adotou um tom crítico também e usou no Twitter a hashtag #DemiteJáBolsonaro.

No Facebook, Ling afirmou que a demissão de Alvim é "imperativa para desassociar o governo da iniciativa desse cidadão notoriamente despreparado para o cargo".

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O apresentador Luciano Huck, que tem origem judia, afirmou que o discurso de Alvim é "perverso e violento", uma vez que o nazismo na Alemanha levou ao genocídio de 6 milhões de judeus.

O ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes se manifestou no Twitter e disse que "a riqueza da manifestação cultural repele o dirigismo autoritário nacionalista".

Na manhã desta sexta-feira, 17, Alvim emitiu um "breve esclarecimento" sobre seu discurso por meio de publicação no Facebook. Ele considerou que a citação a Goebbels foi uma "coincidência retórica".

Artistas e políticos criticam citação de Roberto Alvim a Goebbels

A antropóloga Lilia Moritz Schwarcz foi ao Instagram para comentar o caso. "É simplesmente assustador", resumiu ela após incluir o discurso do secretário e de Goebbels para comparação.

A deputada federal Erika Kokay (PDT-DF) também criticou, pelo Twitter, a fala de Alvim. Segundo ela, o uso do discurso e da música de Wagner "escancara de vez a face neonazista e criminosa deste DESgoverno".

A parlamentar Tabata Amaral (PDT-SP) repudiou o vídeo do secretário da Cultura e afirmou que espera "imediatamente" a demissão dele.

A cantara Zélia Duncan criticou o secretário da Cultura, afirmando que ele "encontrou nesse governo desafinado e brega seu frágil êxtase nazista-fetichista".

O cantor Marcelo D2 compartilhou no Twitter o vídeo do discurso de Alvim e disse: "eles nem se escondem mais". Depois disso, o rapper retuitou diversas mensagens relacionadas ao caso, sempre em tom de crítica negativa.

O jornalista Gilberto Dimenstein comentou que nazismo virou "referência cultural para o governo". "Minha pergunta: como conseguiram achar tantos idiotas culturais para colocar nesse governo?", questionou.

Também jornalista, Felipe Anreoli, apresentador do Globo Esporte, comentou que a fala de Alvim é "assustadora", "pavorosa". "Se isso pra você é normal, não sei o que dizer."

O escritor Mário Magalhães cita em seu livro Sobre Lutas e Lágrimas a relação entre o governo de Jair Bolsonaro e a ideologia nazista. No Twitter, ele retomou o assunto.

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