DIDA SAMPAIO | ESTADÃO
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Classe artística se manifesta sobre escolha de Marcelo Calero para a Cultura

'Depois de diversas mulheres recusarem o posto, esse é o resultado do leilão', diz Aderbal Freire-Filho

O Estado de S.Paulo

18 de maio de 2016 | 19h55

Após alguns dias para definir o nome do responsável pelo setor de cultura, o presidente em exercício Michel Temer anunciou o nome de Marcelo Calero. Ele era o secretário de Cultura do prefeito Eduardo Paes, do PMDB. A classe artística se manifestou sobre essa escolha.

Carlos Alberto Gouvêa Chateaubriand, presidente do Museu de Arte Moderna do Rio

“Acho que foi uma escolha muito boa. O Marcelo Calero tem um lado gerencial muito bom e ao mesmo tempo ele é muito envolvido com todas as áreas da cultura, um entusiasta. É ótimo que seja uma pessoa jovem, uma cabeça nova e aberta. O Calero faz parte do Conselho da Cinemateca, é uma pessoa participativa no Rio, frequentadora do meio, e também que realiza coisas, dialoga com todo mundo”.

Aderbal Freire-Filho, diretor

“Depois de diversas mulheres recusarem o posto, esse é o resultado do leilão. E eles poderiam indicar qualquer um, não depende de quem seja o nomeado. Esse governo continua sendo ilegítimo e incompetente. Tudo o que vier dele não me interessa”

Marco André Nunes, diretor

"O Calero tem uma ótima atuação aqui no Rio. É um sujeito atencioso e de muita escuta. Ele frequenta espetáculos, participa da vida cultural e montou uma equipe incrível para gerir projetos na cidade. A questão é que seguimos no status de secretaria, o que não garante a autonomia das decisões.” 

Helena Ignez, atriz e diretora

"Mais uma bola fora do Temer e seu governo ilegítimo. ueremos de volta o Ministério da Cultura"

Pedro Correa do Lago, editor

"Ele é jovem e o seu dinamismo pode contribuir numa área que precisa de gente dinâmica. Talvez a capacidade, nesse caso, não dependa da experiência que a idade traz"

Flora Gil, empresária, diretora da Gege Produções

"Conheci Marcelo Calero muito rapidamente, mas ele não é uma pessoa ligada à política. Acho que fazer do Ministério da Cultura uma Secretaria foi uma decisão precipitada. O governo poderia ter ouvido mais a classe artística"

José Almino, escritor e pesquisador da Casa Ruy Barbosa

"Não conheço Marcelo Calero, só o vi em algumas ocasiões, entre elas numa das reuniões do Comitê Rio 450 (que organizou as comemorações do 450º aniversário da cidade). Mas ele parece empenhado em políticas públicas"

Silviano Santiago, escritor

Já que o Ministério da Cultura virou secretaria e foi atrelado ao Ministério da Educação, espero que Calero retome alguns programas que eram muito bons, como o Programa de Incentivo à Leitura"

Heloísa Buarque de Holanda, escritora e pesquisadora

"Não cheguei a me aproximar dele e de seu trabalho na sua recente gestão no Rio. Mas, em geral, penso que foi um bom secretário de Cultura na prefeitura do Rio." 

Paula Lavigne, presidente da Associação Procure Saber

"Não reconhecemos esta secretaria de Educação. Não tenho nada contra o novo secretário (Marcelo Calero), mas a questão é que queremos a volta do MinC. Vamos ficar aqui na ocupação do Rio fazendo show todos os dias" 

Fernando Morais, escritor

"Estou pouco interessado em quem será secretário ou ministro da cultura. Estou interessado apenas no retorno ao estado de direito e no respeito às eleições de 2014"

Dody Sirena, empresário de Roberto Carlos

"As grandes potências, como França e Espanha, não contam com ministérios da Cultura. Aqui fica essa gritaria toda, é desnecessário... Não precisa ter ministério, mas uma consciência de governo para políticas culturais. Eu estou com a população que está consciente de que é preciso fazer reajustes e economias para o País crescer"

Anna Muylaert, diretora de Que Horas Ela Volta?

"Deus me livre!Eu não o conheço, não tenho o que achar - mas principalmente não reconheço esse governo - não reconheço sua legitimidade e não sei o que pode vir dai."

Toni Venturi, diretor de Cabra Cega e O Velho, entre outros filmes

"A situação toda é surreal e esdrúxula mas revela o escárnio da nova-velha elite pela cultura. Primeiro tentam em vão uma mulher, de preferência negra para matar dois coelhos com uma só cajadada. Depois escolhem uma pessoa desconhecida do meio, muito jovem, sem experiência de fundo sobre o modus operandi da produção das áreas artísticas, para gerir um setor de enorme complexidade e diversidade, que ainda tem como agravante estar em chamas. Não conheço a pessoa nem duvido de sua capacidade profissional, mas ele vai precisar de muita inteligência, humildade e magnitude para fazer avançar os pleitos da indústria cultural. O momento agora é de pensar grande."

 

Murilo Salles, diretor de ‘Faca de Dois Gumes’ e ‘Quando Nascem os Anjos’, entre outros filmes

“O problema não é a indicação do Celero, é anterior, muito mais complexa. É como a Cultura é vista por esse governo. Aceitar ser Secretário numa situação dessas significa alguma coisa”

 

Joel Zito Araújo, diretor de filmes como 'A Filha do Vento' e 'A Negação do Brasil'

“Preciso de um tempinho, porque este cara é um quase desconhecido. Um bom comentário exige pesquisar e refletir quem ele é, o que fez, que opiniões manifestou em sua curta carreira como Secretário de Cultura do Rio, e o que significaria para o presidente interino, depois de acabar com o Ministério da Cultura, colocar um jovem de 33 anos, com aparente pouca experiência na área, em um cargo tão vital para o país. Fico tentado a concluir que, mais do que arranjar um nome às pressas, depois de cinco tentativas fracassadas de colocar uma mulher, esta escolha demonstra que podemos estar diante mesmo de uma postura colonizada e retrógrada de um governo ilegítimo que acredita que gerir a cultura de um país imenso, diverso e complexo é mesmo uma atividade de pouca importância”

 

Walter Salles, diretor de ‘Central do Brasil’ e ‘Linha de Passe’, entre outros

“Não conheço Calero, mas considero o fato do Minc virar um apêndice do ministério da Educação um retrocesso de mais de trinta anos. Da mesma forma, lamento profundamente a fusão entre os ministérios da Ciência e Tecnologia e o ministério das Comunicações. Esse governo interino revela o seu absoluto desinteresse por áreas que são fundamentais para um país que se quer livre e independente”

 

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