Clarice Niskier

Aos 53 anos e 30 de carreira, esta ''judia-budista'' celebra sua maturidade com a premiada [br]a alma imoral; há 4 anos em cartaz e vista por 100 mil pessoas

Flavia Guerra, O Estado de S.Paulo

15 de agosto de 2010 | 00h00

A Alma Imoral é sua resposta a Dona Léa? Quem é ela?

Um dia eu participava de um programa de TV e me perguntaram minha religião. Disse que era judia-budista. No bloco seguinte, a apresentadora leu um fax que a espectadora Dona Léa tinha enviado: "Ou você é judia ou é budista. Não existe judia-budista." Fiquei tão desconcertada que não soube responder. Na mesma hora, o rabino Nilton Bonder, que divulgava seu livro no mesmo programa, foi questionado sobre isso. E me absolveu. Disse que o budismo poderia me ajudar a entender melhor o judaísmo. Fiquei tão encantada com suas ideias que fui conversar com ele. E ele me deu o livro A Alma Imoral. O espetáculo é uma resposta a Dona Léa.

Em que sentido?

No sentido de que, como o Nilton diz, Donas Léas são importantes para a afirmação da nossa identidade. Se ela não tivesse me cutucado, talvez eu não tivesse despertado para essa questão.

Que questão?

A minha desobediência às regras pré-estabelecidas. Como o livro diz, há uma traição às tradições da moral que é crucial para nossa própria sobrevivência. Ela nos leva à liberdade. E a verdadeira liberdade é assustadora.

E Dona Léa nunca apareceu?

Não. Às vezes dizem: "Sei quem é a dona Léa!" Mas ela nunca apareceu. O que importa é que me ajudou muito. A Alma Imoral marca minha maturidade como atriz, diretora e realizadora.

Você mudou nestes anos entoando um texto espiritualizado?

Muito. Meu filho, que tem 10 anos, disse outro dia: "Mãe, acho melhor você mudar de peça porque você está ficando muito espiritualizada." Mas hoje desperdiço menos tempo. Sou mais calma. E também sou muito grata ao budismo. Quando li o livro, estava muito longe do judaísmo. Eu o li sob o ponto de vista muito simples do budismo.

Já classificaram A Alma Imoral como auto-ajuda?

Sim. E também já me desencorajaram. Quando decidi levá-lo ao palco, alguns amigos atores diziam que eu, que já era uma atriz madura, devia fazer os clássicos. Como assim, fazer um texto que não tem ação dramática? A grande ação que este texto provoca é dentro de nós mesmos. Talvez seja ingênua, mas ainda acho que o ser humano é viável.

QUEM

Clarice Niskier

A atriz se prepara para dirigir duas novas peças no Rio, mas continua com A Alma Imoral em São Paulo até setembro, no Teatro Augusta.

O QUÊ

Pão de queijo e bolo

Clarice escolheu um autêntico pão de queijo, suco de frutas vermelhas para acompanhar e bolo mesclado de sobremesa. "Adoro estas guloseimas."

ONDE

Livraria da Vila

Ela vai sempre à Livraria da Vila (Al. Lorena, 1.731). "Sou muito amiga dos donos, e foi aqui que fiz a primeira leitura de A Alma Imoral."

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