Clareza iluminista

Estudo de Rolf Kuntz introduz o pensamento de Rousseau

MAURO BALADI É FILÓSOFO, TRADUTOR, O Estado de S.Paulo

01 de dezembro de 2012 | 02h12

MAURO BALADI

Como qualquer outra forma de saber, a filosofia também sofre influência direta do seu meio. Se Platão escreveu dezenas de obras, ao passo que seu mestre Sócrates preferia discutir na ágora, isto também se explica pelo fato de que, na Grécia de Platão, a praça pública já não era um lugar tão seguro para expor livremente as ideias. Já no que diz respeito à França do século 18, tudo conspira para a produção de uma filosofia política de caráter crítico, que denuncia a falsidade das noções e crenças que legitimavam abusos e desigualdades. Essa filosofia deveu seu sucesso à expansão da imprensa e ao crescimento da burguesia.

O movimento filosófico conhecido como Iluminismo exerceu, especialmente na França, uma influência social e política ampla e geral, que modificou radicalmente os rumos da humanidade com a sua importância sobre a Revolução de 1789. Dentre os iluministas, destaca-se a figura de Jean-Jacques Rousseau, burguês suíço que, por sua condição social, destoava de seus colegas franceses. Esse caráter singular, que fez do pensador o mais influente e "popular" dos iluministas, pode ser mais bem entendido com a leitura de Fundamentos da Teoria Política de Rousseau, de Rolf Kuntz. Professor de filosofia da USP e colunista do Estado, Kuntz apresentou esse texto como dissertação de mestrado, em 1970. Publicando o estudo sem maiores alterações, ele se propõe a nos apresentar sua obra como uma breve e acessível introdução ao pensamento político de Rousseau. Esse intento é atingido por meio de uma linguagem clara e objetiva.

A partir de textos fundamentais, Kuntz nos mostra um Rousseau preocupado em fazer de sua filosofia algo mais que uma pregação moralista. Inspirada nos trabalhos de Montaigne e Montesquieu, a obra de Rousseau junta à reflexão puramente teórica a análise de exemplos históricos (ou nem tanto) que aproximem o discurso filosófico da realidade humana, tentando acima de tudo conciliar os interesses sociais com a liberdade individual.

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