Clapton refaz trajeto

O guitarrista inglês Eric Clapton, de 66 anos, apresentou-se para 20 mil pessoas na noite de quinta-feira, no estacionamento da Fiergs, em Porto Alegre, no primeiro show de sua turnê pela América do Sul. O repertório pendeu mais para o blues do que para o rock e deve se repetir nas próximas apresentações, no Rio de Janeiro (dias 9 e 10) e em São Paulo (dia 12).

ELDER OGLIARI , PORTO ALEGRE, O Estado de S.Paulo

08 de outubro de 2011 | 03h06

Formado por pessoas de todas as idades, mas com predominância de jovens, o bem-comportado público tratou o artista com reverência, explodindo em aplausos a cada solo, mas contendo a vibração imediatamente para ouvir e degustar melhor um momento que sabia ser único, especialmente nas músicas Key to the Highway, Old Love, Layla e Cocaine.

Pontual, Clapton subiu ao palco às 22 horas. Ao longo do espetáculo de uma hora e 40 minutos, usou duas guitarras diferentes e um violão para tocar 16 músicas, incluindo o bis ao final. Confirmou seu conhecido virtuosismo e conseguiu dar um caráter um tanto intimista a um espetáculo programado para o ar livre, em uma noite estrelada, embora fria. Algumas músicas ganharam um ritmo mais suave do que em suas versões mais conhecidas, como Layla e Before You Accuse Me.

Os integrantes do grupo tiveram seus momentos de brilho. O guitarrista é acompanhado pelo baterista Steve Gadd, o baixista Willie Weeks, as backing vocals Michelle John e Sharon White e os tecladistas Chris Staiton e Tim Carmon, que arrebatou o público em alguns solos de sintetizador e órgão.

Homem de poucas palavras, Clapton saudou o público, arriscou um 'obrigado' uma vez e agradeceu aos aplausos com o protocolar 'thank you'. E nada mais de palavras. O repertório passou por clássicos do blues dos anos 40 e 50 que Clapton gravou entre os anos 60 e 80 e músicas compostas por ele também entre os anos 60 e 80.

O primeiro momento é completamente blues, com Going Down Slow, Key to The Highway, Hoochie Coochie Man e Old Love. A quinta música, Tearing Us Apart, tem andamento mais rápido e pitadas de rock dos anos 80. E ela que encerra o primeiro bloco.

Clapton troca a guitarra pelo violão e parte para a segunda etapa, sentado. Em Driftin' Blues é acompanhado temporariamente pelas palmas da plateia e conduz seu instrumento a longos diálogos com os teclados de Carmon. Na música seguinte, Nobody Knows You When You're Down and Out, faz longos solos de violão. Depois parte para uma segunda guitarra, com a qual executa Lay Down Sally e When Somebody Thinks You're Wonderful. O bloco é encerrado com Layla, recebida com entusiasmo pelo público. Num intervalo de menos de um minuto, Clapton bebe água e retoma a primeira guitarra.

O terceiro bloco contém variações entre o blues, a balada e o rock, com Badge, Wonderful Tonight, Before You Accuse Me, Little Queen of Spades e Cocaine, que encerra o show. O bis teve apenas uma música, o blues clássico que gravou com a banda Cream, Crossroads.

Na tentativa de garantir um bom lugar para ver Clapton de perto, boa parte dos fãs chegou cedo - os portões foram abertos às 17 horas - e esperou cinco horas em pé, nas pistas Premium e comum, até o espetáculo começar.

Os espectadores tiveram direito a um show com meia hora de duração, entre 21h e 21h30, da banda Cartolas, de Canoas, na região metropolitana de Porto Alegre. Formado em 2003, o grupo ganhou os prêmios Claro Q É Rock em 2005 e Açorianos de melhor disco de música pop de 2007. No aquecimento para o 'senhor da guitarra' tocou músicas de seus CDs Original de Fábrica e Quase Certeza Absoluta. Em São Paulo, os shows serão abertos pelo guitarrista Gary Clark. "Ele não é de interagir com o público e não tocou Tears in Heaven, mas os solos são divinos", disse Sérgio Pereira, de 45 anos.

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