Heloísa Bortiz/Divulgação
Heloísa Bortiz/Divulgação

Cisne negro e o eterno retorno ao quebra-nozes

Por que uma história que todo mundo conhece, continua a ser vista e revista todos os anos? Esse é um dos segredos de O Quebra-Nozes, o clássico balé que estreou na Rússia em 1892 e, desde então, não para de ser reapresentado ao redor do planeta. Por aqui, a fama do espetáculo foi multiplicada ao longo das décadas pelo Balé do Teatro Municipal do Rio de Janeiro e pela companhia Cisne Negro, que pelo 28.º ano consecutivo apresenta sua versão para a obra. A partir de hoje, o grupo comandado por Hulda Bittencourt leva o fantasioso mundo da menina Clara ao palco do Teatro Alfa. Até o dia 19, adultos e crianças terão a oportunidade de revisitar o lírico pas-de-deux entre o príncipe e a fada Açucarada, bailando ao som de Tchaikóvski.

Maria Eugênia de Menezes, O Estado de S.Paulo

09 de dezembro de 2010 | 00h00

Foi em 1982 que o Cisne Negro montou pela primeira vez O Quebra-Nozes. A proposta era despretensiosa: reunir alunas e fazer um simples espetáculo de fim de ano. Mas a montagem ganhou vulto. Lotou sessões, recebeu o prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes) daquele ano e, desde então, não saiu mais do horizonte da companhia.

Nesta edição, os solistas convidados são dois russos: Anna Scherbakova e Dmitry Kotermin, ambos primeiros-bailarinos do Russian State Ballet. Chegaram nesta semana, poucos dias antes da estreia, mas encontraram um conjunto de quase 120 dançarinos - entre crianças e profissionais - que já estão trabalhando desde agosto na montagem da célebre coreografia de Lev Ivanov. É nessa época que ocorrem as audições para escolha do elenco, com centenas de candidatos vindos de vários Estados e até de outros países. "Neste ano, temos também uma austríaca e uma argentina no grupo", lembra Hulda.

Mesmo com a crescente sofisticação dos musicais, o tradicional balé de Natal continua a manter seu público cativo. Os ingressos sempre se esgotam. E, o mais surpreendente, a produção costuma se pagar inteiramente, mesmo sem patrocínio. "É o único do nosso repertório que se paga", comenta a diretora do Cisne Negro.

Inspirado em um conto fantástico de E.T.A. Hoffmann, O Quebra-Nozes reproduz o que seria uma festa de Natal na casa de duas crianças: Clara e Fritz. E é dentro dos sonhos da menina que se passa uma história cheia de reviravoltas, com fadas, batalhas com ratos e o soldadinho transformado em príncipe. Para Hulda, O Quebra-Nozes continua a seduzir plateias do mundo inteiro pela força da música de Tchaikóvski. "Mas também porque dá às pessoas, mais sensíveis nesta época do ano, a oportunidade de reencontrar a magia do Natal."

O QUEBRA-NOZES

Teatro Alfa. Rua Bento Branco de Andrade Filho, 722, 5693-4000. 2ª a 5ª, 21 h; 6ª, 21h30; sáb., 17 h e 21 h; dom., 16 h e 19 h. R$ 60/ R$ 90. Até 19/12.

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