Cisne Negro comemora 25 anos

Há 25 anos, São Paulo viu nascer, da união de jovens atletas vindos da Faculdade de Educação Física da USP e bailarinas profissionais, uma companhia que abria espaço para artistas e coreógrafos realizarem experiências. Ainda ligado a esse mesmo propósito, a diversificação, o Cisne Negro inicia suas atividades amanhã com uma apresentação gratuita de Momentos Marcantes, no Teatro São Pedro. A peça fica em cartaz até domingo. O ano será recheado de atividades, de acordo com projeto da diretora da companhia, Hulda Bittencourt. Algumas medidas já foram tomadas para a execução dos planos, outras ainda dependem de parcerias e patrocinadores. "Temos muitas idéias, como reapresentar as primeiras coreografias, organizar um arquivo com artigos, críticas e fotos, produzir um curta que dê conta da história e mostre a evolução do grupo e, por fim, um livro composto por depoimentos de pessoas que acompanharam a vida do Cisne Negro", comenta Hulda, empolgada. Em um primeiro momento, trechos de algumas pérolas poderão ser conferidos pelo público, como Del Verde ao Amarillo, de Victor Navarro, uma importante peça, que colocou a companhia em evidência em 1979, entre outras, na coreografia Momentos Marcantes. "Até hoje o Cisne Negro não possui coreógrafos residentes, abro espaço para artistas de diferentes tendências criarem para o grupo. Foi o que ocorreu com Navarro, Sonia Mota e Ana Mondine no início", explica. De acordo com Hulda, o convidado dessa temporada é Patrick Delcroix, autor de Além da Pele e um dos principais bailarinos do Nederlands Dance Theater. A peça ainda não tem data prevista para estréia. Outro nome sondado foi o de Henrique Rodovalho, da Quasar Cia. de Dança, mas a esperada criação foi adiada para 2003. "Desde que nasceu, o Cisne Negro é híbrido, trabalha com artistas de tendências distintas e um dos pontos altos foi logo no início, com a atuação de Sonia Mota", comenta a crítica de dança Cássia Navas. Sonia vive hoje em Colônia, na Alemanha, e tornou-se celébre por criar um método próprio de dança, reconhecido internacionalmente. Marcou época como intérprete e coreógrafa, conquistou prêmios, mas foi como professora que influenciou toda uma geração de artistas da dança brasileira. No Cisne Negro atuou como professora e criadora. "A Hulda abriu um espaço importante, onde pude experimentar, testar aquilo que estava desenvolvendo, em um ambiente agradável", diz Sonia. Para ela, o grupo soube representar no palco as idéias da época. "Eles estavam em sintonia com as tendências do período, a dança que faziam expressava o momento, estavam abertos a novas idéias, sabiam equilibrar técnica com experimentos", observa. No entanto, faz uma ressalva: "Assim como vários grupos brasileiros, o Cisne Negro tem sempre uma preocupação em estar ligado aos moldes estrangeiros, o que os distancia da realidade brasileira. Acredito que seja necessário uma busca por aquilo que é nacional, um investimento maior nos criadores do País." Outro aspecto apontado pelo ex-bailarino Marco Aurélio Nunes é a evolução administrativa. "Houve uma forte profissionalização, diversificação de áreas, grande investimento em professores e na técnica dos bailarinos. Acho que o Cisne passou por momentos distintos durante esses 25 anos, cada um com sua peculiaridade, sem estar preso à idéia de estar na vanguarda", comenta. A expansão pode ser comprovada com a intenção de migrar para uma nova sede, separada da escola. Hulda também passa a atuar na área social ao lado da Instituição Criança Cidadã e dos Meninos do Morumbi. "Vamos levar a dança para meninos e meninas carentes, buscando novos talentos e oferecendo alternativas de trabalho e profissionalização a eles", diz.Momentos Marcantes - Teatro São Pedro: Rua Barra Funda, 171. Tel: 3667-0499. Amanhã, às 21h, entrada franca. Sábado às 21h e domingo às 17h. Sábado e domingo, R$10.

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