Cirurgia no dente mudou o seu timbre

O seu disco é bastante pop, não é sisudo como de praxe.

Entrevista com

O Estado de S.Paulo

20 de junho de 2012 | 03h10

Tem reggae, tem samba, tem hip-hop, disco. Mas tem uma unidade. É um disco que fala de paz, de conquista, de autoestima. Optei não pelo desespero, sair atirando para todos os lados, mas por unidade.

Você teve um problema de saúde, diziam até que você teria de parar de fazer beat box.

Não, não tem nada disso. Na verdade, tive um problema com os dentes. Eu fui atropelado quando tinha 16 anos, fiquei com os dentes meio moles. Aí puseram dois pinos e infeccionou, tive de arrancar. O som do chimbau (prato de bateria) que eu faço na boca é um som que sai entre os dentes, e agora os três de trás estão emendados num só. Isso afeta o timbre, o que me levou a uma nova maneira de fazer o som. A gente se adapta. Tô estudando agora como fazer o trompete, os metais, na boca também.

Como você começou a fazer o beat box?

Isso começou lá em 1990, 1991. Eu vi um filme quando era pequeno, não lembro o nome do filme. Tinha uns caras batendo na lata e fazendo sons com a boca. Eu passei a fazer esse som na escola, em Campo Limpo, onde vivo até hoje. Faziam uma rodinha para me ver fazer o beat box. Uma vez apanhei porque não aguentava mais fazer, e a turma não queria que eu parasse. Me deram umas pancadas, saiu sangue da orelha.

Você conhece alguém tão bom quanto você no Brasil?

Hoje tem uma molecada muito boa. Há um campeonato, um grupo chamado Beatbox Brasil, fantástico. Eles me dizem: 'Você sabe fazer!", e dizem o nome em inglês da coisa. Na minha época não tinha isso. Os caras me têm como um espelho, e eu me preocupo com o que digo pra eles. / J.M.

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