Circo voador quer voltar a ''acontecer''

No rastro dos megafestivais de música marcados para São Paulo em outubro e novembro, produtores cariocas tentam realizar a façanha de criar uma temporada de shows internacionais quase sem patrocínio, pechinchando cachês e lutando para atrair o público para apresentações de bandas pouco populares na cidade. Nos meses em que artistas como Air, Phoenix e Regina Spektor devem tocar para até 200 mil pessoas nos eventos paulistas, o Circo Voador, no Rio, negocia receber os mesmos nomes para apresentações "avulsas", para 2.500 espectadores, com o objetivo de se firmar como a principal casa de música alternativa da cidade.

Bruno Boghossian, O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2010 | 00h00

Sem os orçamentos dos grandes festivais, o Circo aproveita a vinda dos músicos internacionais ao Brasil, sua boa estrutura e a localização a poucos metros dos Arcos da Lapa para criar a própria escalação dos sonhos. Do Natura About Us, os produtores contrataram a dupla francesa Air; do Starts With You (SWU), negociam a vinda da cantora Regina Spektor; e, do Planeta Terra, acertam detalhes para apresentar Phoenix e Passion Pit.

"O Rio é um lugar com que todo mundo tem empatia, mas que não tem um público numeroso como o de São Paulo. O público do Rio é, em geral, um terço do público paulista para a mesma banda", avalia o responsável pela programação internacional da casa, Alexandre Rossi.

Para contornar a baixa média de público, o tamanho reduzido do Circo Voador e o preço mais baixo dos ingressos passaram a ser usados como trunfos. Nos últimos quatro anos, a casa que ajudou a consagrar Lobão, Paralamas do Sucesso e Barão Vermelho nos anos 80 passou a investir na ampliação de seu nicho.

A empreitada começou com a apresentação incendiária dos escoceses do Franz Ferdinand, em fevereiro de 2006. Os ingressos se esgotaram em menos de um dia e a exaltação do público assustou até o vocalista Alex Kapranos, que chegava a ser atropelado pelo coro dos fãs. "O show chamou muita atenção e, depois disso, todas as outras bandas e produtores que vinham ao Brasil começaram a reparar na casa", conta Rossi. Desde então, outros shows entraram para a história do Circo, como os de Justice (setembro de 2008), Bloc Party (novembro de 2008), Little Joy (fevereiro de 2009) e Nouvelle Vague (abril de 2010).

Sem área vip ou espaços cercados para a imprensa, o formato da casa permite que o público fique praticamente debruçado sobre o palco, a centímetros dos artistas. "A disposição do Circo é muito boa para quem toca. Quando se está no palco, parece que os fãs vão nos engolir", compara.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.