Circo Mínimo ocupa o palco do Sesc

A partir de amanhã, o Sesc Pompéia oferece a oportunidade de ver ou rever quatro espetáculos da companhia Circo Mínimo, criada por RodrigoMatheus em 1988. Há desde um espetáculo aprimorado ao longo dotempo, como Prometeu, criado em 1993, adaptação da tragédiaPrometeu Acorrentado, de Ésquilo, até Alados, a criaçãomais recente, um "experimento" unindo técnicas circenses comlinguagem teatral. E ainda espetáculos que fizeram temporadas nacidade como Moby Dick e Ladrão de Frutas."Prometeu foi minha primeira tentativa de contar umahistória", diz Rodrigo. "Até então, só havia trabalhado compequenas cenas." Ele assina a adaptação do embate entre Zeus ePrometeu, acorrentado a uma rocha depois de ter revelado aoshomens o segredo do fogo. "Gosto especialmente desseespetáculo. Acho que a linguagem do circo traduz bem a situaçãode Prometeu. Em geral, nas montagens desse texto, os atoresficam imobilizados. Eu faço a peça suspenso no ar pelas pernas,o que torna a cena igualmente aterrorizante, até pelapossibilidade da queda. Mas tenho muita mobilidade, subo pelacorda, balanço, salto."Ladrão de Frutas, a segunda peça, foi o primeiroespetáculo a entrar em cartaz com o elenco da companhia - oitoatores especialmente selecionados para a formação de um grupocom linguagem circense. A peça conta a história de um garoto quese revolta contra os pais e decide viver no alto de uma árvore.Ali, ele descobre o amor, amadurece para as relações sociais eenvelhece. "O cenário é feito de mastros e um emaranhado decordas e panos. No momento em que o garoto sobe ali, jamaisdesce."Moby Dick diferencia-se, na linguagem, dos trabalhosanteriores. Dirigido por Cristiane Paoli Quito, explora imagense o corpo dos atores para contar a clássica história da caçada àbaleia. "Não há palavras. É um exercício de criação de imagens:primeiro, a ilusão do mar, um enorme barco feito de madeira ecordas suspenso no ar; depois, traduzimos com nossos corpos oconflito entre o marinheiro e o capitão. Ao fim, a imagem dotemor pela coisa externa - a baleia."Com os mesmos oito atores de Ladrão de Frutas,Rodrigo Matheus entre eles, claro, Alados é um exercício deaprimoramento da linguagem do grupo. "A partir de estímulos, osatores criam movimentos em solo e por meio deles vão surgindoesboços de personagens - uma mulher sensual, um garoto deperiferia vaidoso de sua cabeleira, um louquinho. Só então osatores sobem nos aparelhos e começam a desenvolver essespersonagens na linguagem circense, o que estimula a criação demovimentos que fujam do óbvio. Em Alados, cada um dospersonagens faz o seu solo e reage com o coro formado pelosoutros sete atores. "Não é um espetáculo convencional, comhistória ou situações definidas, mas fascina pelo movimento,pelas imagens corporais."Alados. Dias 23 e 24, às 15 hLadrão de Frutas. Sáb. e dom., às 15 hMoby Dick. Dias 22 e 23, às 21 h; dia 24, às 18 hPrometeu. 6.ª e sáb., às 21 h; dom., às 18 h. R$ 12 (porespetáculo), R$ 20 (para 2 espetáculos) e R$ 24 ou R$ 32 (para 3e 4). Sesc Pompéia. Rua Clélia, 93, tel. 3871-7700.

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