Ciranda humana

360, novo filme de Fernando Meirelles que abrirá Festival de Gramado, conta histórias de amor e escolhas intimistas e globais

FLAVIA GUERRA, O Estado de S.Paulo

31 Julho 2012 | 03h09

Fernando Meirelles sofre de entusiasmo crônico. Como ele já admitiu, volta e meia é arrebatado por uma alegria que o faz ter vontade de avançar sem medir obstáculos. "Quando a onda passa, já estou comprometido e aí, às vezes, vem o arrependimento. Mas sigo em frente. Com a idade, aprendi a controlar isso e sei que, mesmo quando vem a baixa, uma hora vou pegar a onda novamente. Se num momento me entusiasmei, é porque algo ali falou com alguma parte dentro de mim. Então vale a pena ser investigada", comentou ele ao Estado há quase um ano, quando se preparava para mostrar pela primeira vez o novo 360, no Festival de Toronto.

Agora, no dia 10, Meirelles exibe seu filme na abertura do Festival de Gramado. Uma semana depois, a produção estreia nos cinemas - e o público nacional finalmente poderá entender o que entusiasmou o diretor no roteiro do britânico Peter Morgan (de A Rainha) para que ele aceitasse o projeto que definiu como o mais simples e complexo de sua carreira.

"Gostei ou me identifiquei com algo que está em quase todos os personagens. São pessoas boas que tentam agir da melhor maneira. Nem sempre conseguem. Como todos, lutam contra seus desejos e pulsões. Às vezes ganham, às vezes perdem." A história começa com a prostituta Mirkha (Lucia Siposová), prestes a encontrar um cliente, o empresário inglês Michael (Jude Law), em Viena. Ele é casado com Rose (Rachel Weisz), que tem um caso com o brasileiro Rui (Juliano Cazarré), que namora a brasileira Laura (Maria Flor). O restante é melhor não revelar, pois é nos ciclos, que se abrem e se fecham em um novelo que se desenrola em Viena, Londres, Paris, Denver e Rio que o espectador descobre a universalidade desta ciranda.

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