Cinemateca abriga 6ª Jornada de Cinema Silencioso em SP

Silencioso, de verdade, o cinema nunca foi, ou foi por um período. Nascido como experimento científico dos irmãos Lumière, surgiu atado à realidade. Georges Méliès, um mágico, ensinou o cinematógrafo dos Lumière a sonhar, enveredou pela ficção, o cinema foi para as feiras, tinha comentadores/narradores da ação na tela, acompanhamento musical. Mas a estética era silenciosa - lentas fusões, quando não (um paradoxo) a aceleração da imagem, projetada a 18 quadros por segundo, e que Charles Chaplin utilizou para formatar a mímica de seu personagem Carlitos.

AE, Agência Estado

10 de agosto de 2012 | 10h21

Tudo isso vale lembrar neste momento em que, em São Paulo, o cinema volta à feira. A velha história (re)começa. A Cinemateca Brasileira vira uma feira - um Salão de Novidades - para abrigar a 6.ª Jornada Brasileira de Cinema Silencioso. Uma cinemateca é, em si, um museu do cinema, uma memória (viva) do passado. Debruçar-se sobre uma produção já centenária, ir aos primórdios, não representa apenas uma vontade de escavar neste passado longínquo. O que a Jornada quer fazer é promover o diálogo entre as obras do começo do século passado e o contexto atual do cinema.

Uma frase retirada do texto de apresentação dos curadores é exemplar - "A proposta é reunir diferentes contribuições para se pensar o cinema enquanto expressão nascida entre as técnica e a ciência, recuperando sua natureza popular nas primeiras décadas de vida." Dois dos curadores, Adilson Mendes e Juliano Gentile, detalham a proposta deste ano. A Jornada nunca foi tão ''experimental'' e, dessa maneira, como todo ''experimento'', seus rumos vão depender da acolhida do público ao que os curadores programaram (existem mais dois - Felipe de Moraes e Rafael Zanatto).

O próprio termo "Salão de Novidades" evoca o salão homônimo do pioneiro brasileiro Paschoal Segretto e algo mais - busca relações entre as artes, no momento em que o cinema, com as artes cênicas visuais em geral, enfrenta o desafio das novas tecnologias. E viva o circo, não apenas por sua ligação com as origens - o cinema das feiras -, mas pelo uso que terá para as vanguardas do começo do século passado, especialmente no cinema russo, no momento em que a revolução de 1917 instala os sovietes (e uma concepção social e política que virou permanente motivo de discussão, ao longo do século).

A 6.ª Jornada resgata tradição e novidade (modernidade), de forma a surpreender cinéfilos de carteirinha. Uma seção intitulada Cinema Soviético dos Anos 20 - Massas e Poder vai resgatar experimentos que buscavam uma nova representação estética para a ordem social que deslocava o poder para a classe trabalhadora. Lev Kulechov e Jakov Protazanov anteciparam Sergei M. Eisenstein e V.I. Pudovkin. Outra seção, Luzes e Sombras, privilegia a radicalidade plástica das imagens, com ênfase para a contribuição do expressionismo alemão, cujo grande clássico, "O Gabinete do Dr. Caligari", de Robert Wiene, será apresentado numa versão restaurada zero bala. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

6ª JORNADA BRASILEIRA DE CINEMA SILENCIOSO

Cinemateca (Largo Senador Raul Cardoso, 207, V. Mariana). Tel. (011) 3512-6111. Grátis. De 11 a 19/8. Programação: www.cinemateca.gov.br/jornada/2012/index.html.

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