Cinema sinfônico no Teatro Municipal

A Orquestra Experimental de Repertório faz no domingo novo concerto da série Cinema em Concerto, criada em 1994 pelo maestro Jamil Maluf. Desta vez, o tema é a relação entre música e filmes na produção italiana, com obras de compositores como Nino Rota e Ennio Morricone.

João Luiz Sampaio, O Estado de S.Paulo

19 de agosto de 2011 | 00h00

"Desde o começo da série, o que nos motivou foi investigar a relação de simbiose entre filmes e trilhas", diz Maluf. "É claro que a música ajuda a narrar uma história. Mas é importante ver como alguns compositores de trilhas ajudaram a valorizar a orquestra como instrumento, criando obras significativas."

Na primeira parte do concerto, serão interpretados trechos de trilhas de Ennio Morricone (Era Uma Vez na América, de Sergio Leone; Cinema Paradiso, de Giuseppe Tornatore; e A Missão, de Roland Joffè) e Nicola Piovani (A Vida É Bela, de Roberto Benigni), com participação da soprano Artemisa Repa.

A segunda parte é toda dedicada a obras de Nino Rota, grande colaborador de Fellini. "Ele é o exemplo perfeito de um autor de trilhas que extravasou o universo do cinema e criou grandes obras, que têm vida própria e mostram um trabalho muito interessante no tratamento das possibilidades sonoras de uma orquestra. A gente encerra o concerto com La Strada. A música é tão impressionante que já ganhou várias versões depois do filme, inclusive uma suíte para balé, em quatro partes. A orquestração é muito vibrante, poderosa, é a obra do professor de composição do Conservatório de Bari", diz o maestro Maluf.

Além de La Strada, serão interpretados trechos da música de Rota para O Poderoso Chefão, de Francis Ford Coppola, e Amarcord e A Doce Vida, de Fellini. "Sempre que faço esses concertos, fico com a sensação de que os compositores escreviam a música que lhes interessava. É claro que há a ligação com o filme, mas eles tinha uma personalidade tão forte, tão poderosa, que acabavam extravasando as imagens."

Maluf acredita ter formado um panorama interessante do cinema italiano e explica as dificuldades de se montar um programa como esse. "É complicado, de cara, encontrar as partituras, nem todas estão editadas, então é preciso entrar em contato com os estúdios, que nem sempre têm o material à mão. No caso de Cinema Paradiso e A Missão, precisamos falar direto com a família do Henry Mancini, autor das orquestrações. Além disso, é preciso conseguir a autorização das imagens dos filmes, que são projetadas durante os concertos. Há estúdios que não liberam o material, o que acaba restringindo as possibilidades na hora de montar o repertório."

ORQUESTRA EXPERIMENTAL DE REPERTÓRIO

Teatro Municipal. Praça Ramos de Azevedo, s/nº, tel. 3397-0327. Dom., às 11 h. R$ 10/ R$ 40

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