Cinema perde mestre da nouvelle vague Claude Chabrol

Está sendo um ano devastador para os últimos remanescentes da nouvelle vague, o movimento de renovação do cinema francês por volta de 1960. Em janeiro, morreu Eric Rohmer, o autor dos contos morais e das comédias e provérbios. Ontem, foi a vez de Claude Chabrol. Rohmer tinha 90 anos. Chabrol, 80. A causa da morte do cineasta não foi revelada.

AE, Agência Estado

13 de setembro de 2010 | 09h04

Nascido em Paris, de uma família de farmacêuticos, ele passou a infância e a adolescência em Creuse, no interior da França. Regressou à capital para cursar letras e farmácia, mas a cinefilia o encaminhou para a crítica, que exerceu em Cahiers du Cinéma. Com seus colegas de geração (Rohmer, Jean-Luc Godard, François Truffaut etc), fez a passagem para a direção.

O primeiro longa, "Le Beau Serge, Nas Garras do Vício", foi feito em 1958, com parte do dinheiro que sua mulher havia recebido como herança. No ano seguinte, "Os Primos" conheceu um estrondoso sucesso, consolidando também as carreiras de Jean-Claude Brialy e Gérard Blain, os atores que o cineasta usara em seu longa de estreia. Após esse começo promissor, Chabrol tornou-se, com Godard e Truffaut, um dos chefes de fila da nouvelle vague. Apesar da fama de preguiçoso, ele foi um dos diretores mais prolíficos revelados pela nouvelle vague - 50 e tantos longas, sem contar os curtas e esquetes. Em meados dos anos 1960, Chabrol, em crise autoral, começou a fazer filmes comerciais (aventuras policiais com os personagens Tigre e Marie Chantal). Mais tarde, ele definiria esta fase - "Sempre filmei não importa o quê, mas nunca não importa como."

Chabrol ressurge com "As Corças, Les Biches", que fez em 1968, com Stephane Audran e Jacqueline Sassard. Ele se casou com a primeira e, no biênio 1969 1969/70, atingiu a perfeição do seu estilo por meio de um punhado de filmes que se tornaram clássicos (e cults) - "A Mulher Infiel", "A Besta Deve Morrer" (o único que não é interpretado por Stephane), "O Açougueiro" e "Trágica Separação".

Gourmet - ele próprio gostava de dizer que situava suas locações perto de onde podia comer bem -, Chabrol era também bem humorado, ferino e inteligente. Sua obra investiga a burguesia, especialmente a interiorana. Compõe o que não deixa de ser, no cinema, o equivalente da Comédia Humana de Balzac na literatura. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Filmes Essenciais

"Nas Garras do Vício" (Le Beau Serge), 1958.

"Os Primos" (Les Cousins), 1959.

"Mulheres Fáceis" (Les Bonnes Femmes), 1960.

"A Mulher Infiel" (La Femme Infidèle), 1969.

"A Besta Deve Morrer" (Que la Bête Meurre), 1969.

"O Açougueiro" (Le Boucher), 1970.

"Trágica Separação" (La Rupture), 1970.

"Amantes Inseparáveis" (Les Noces Rouges), 1973.

"Alice ou A Última Fuga" (Alice ou La Dernière Fugue), 1976.

"Violette Nozière", 1977.

"Poulet au Vinaigre", 1984.

"Um Assunto de Mulheres" (Une Affaire des Femmes), 1988.

"Madame Bovary", 1991.

"Ciúme - O Inferno do Amor Possessivo" (L?Enfer), 1993.

"Mulheres Diabólicas" (La Cérémonie), 1994.

"Negócios à Parte" (Rien ne Va Plus), 1997.

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