Cinema para o futuro

Nova comédia de Cláudio Torres traz Wagner Moura como um cientista maluco que viaja pelo tempo

Luiz Carlos Merten / CAMPINAS, O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2010 | 00h00

Antes mesmo que apareçam no campo visual do repórter, as vozes os antecedem. A de Maria Luiza Mendonça, mais baixa e controlada, mas ameaçadora. A de Wagner Moura, descontrolada. Ele grita. A cena que está sendo filmada é do novo filme de Cláudio Torres, O Homem do Futuro. Wagner faz o protagonista, um cientista que, neste momento da cena, está sendo despedido pela reitora da universidade na qual trabalha. Ele causou dois incidentes que provocaram graves prejuízos para a instituição. Maria Luiza não está para brincadeiras. Wagner Moura, com os cachos dos cabelos meio eriçados, parece um cientista maluco - é um cientista maluco.

O ator admite sentir grande prazer neste retorno à comédia, que não fazia desde Saneamento Básico, de Jorge Furtado. "O clima neste set é uma delícia", define. Se estivesse trabalhando num drama pesado, ele não tem muita certeza de que resistiria. Wagner é papai recente (pela segunda vez). Morre de saudades do bebê. O que ajuda é a descontração no set de filmagens e as idas ao Rio, sempre que a produção lhe dá uma folga. O Homem do Futuro está sendo feito em Paulínia (e áreas próximas). Neste sábado, em especial, o set está instalado num local impressionante, o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais.

Partículas. É um conjunto que reúne três laboratórios abertos à comunidade científica e empresarial. A filmagem ocorre no de Luz Sincrotron, que opera o único acelerador de partículas da América Latina (e um dos maiores do mundo). Aqui é possível utilizar raios-X e raios ultravioletas em estudos de materiais avançados, de Nanociência e Biotecnologia. Na ficção imaginada pelo diretor Cláudio Torres - que trabalha a partir de um argumento original -, o cientista Wagner Moura cria, acidentalmente, durante uma experiência, um buraco negro que vai lhe permitir viajar no tempo.

No presente, ele é um homem amargurado - desde uma certa festa, na qual perdeu o amor de sua vida, quando ainda cursava a faculdade. E, agora, ele volta àquele dia - durante uma festa de fantasias -, com a possibilidade de mudar o próprio futuro.

"O filme é uma comédia romântica que flerta com a ficção científica", explica o diretor, filho de Fernanda Montenegro e Fernando Torres. Quando garoto, Cláudio era um voraz leitor de ficção científica. Jules Verne, H.G. Wells, Isaac Asimov. Os pais nunca contestaram seu gosto, felizes de ver o filho lendo. Mas um dia lhe passaram um livro - Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley.

Depois de A Mulher Invisível, Cláudio Torres parece ter encontrado sua praia. O filme comercial, como opção estética e algumas - muitas? - ideias. Para o ator Wagner Moura, a pergunta é inevitável - e o novo Tropa de Elite, que estreia em 8 de outubro? "Para o meu gosto pessoal, o 2 está melhor do que o 1." Palavra de Wagner Moura, que atiça ainda mais a curiosidade pelo novo filme de José Padilha.

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