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Fábio Porchat
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Cinema nacional

Apesar de o cinema nacional estar indo de vento em popa, muita gente ainda tem um discurso antigo de que filme brasileiro é muito ruim. Essa é uma visão ultrapassada de quem não vai ao cinema assistir a um filme tupiniquim faz um tempinho. É claro que existem filmes péssimos, muitos deles. Mas o cinema nacional bom não é mais exceção, como um dia já foi. Temos bons diretores, boas histórias, bons atores e isso fica nítido analisando o atual panorama. Pode ser que alguns deles não façam o seu estilo, ok. Mas não se pode negar que são bons. Tecnicamente, inclusive. Acho que o preconceito se dá muito por conta de uma comparação desleal com o cinema americano. E eu não vou bater na tecla de que eles têm mais dinheiro que a gente, que o cinema por lá é uma indústria. Eu quero falar sobre as qualidades dos filmes dos Estados Unidos. Você sabia que mais da metade dos filmes que são produzidos lá nem chegam para os cinemas brasileiros? E sabe por quê? Porque foram um fracasso de público e de crítica. Ou seja, o que estreia nas nossas salas (as poucas que temos) já é automaticamente uma triagem. A competição começa injusta por princípio. Quer dizer, quando você assiste a um filme americano ruim aqui, significa que outros bem piores foram produzidos. Outra questão é a língua. A maioria absoluta dos espectadores leem as legendas para entenderem o filme, não se guiam pelo áudio. O que isso significa? Que você não precisa entender o que foi dito. Tanto faz se a sala de cinema tem um sistema péssimo de som, você vai entender o filme gringo tranquilamente. Já o filme nacional, não. Muita gente reclama do som quando, na maioria das vezes, o problema do som é da sala. Com a interpretação dos atores é a mesma coisa. Ter que ler a legenda te tira, mesmo que por fração de segundos, do foco na imagem. Sua atenção não é 100% nos atores. E por ser em outra língua, não temos tanto discernimento para dizer se aquela fala foi dita com verdade ou não. Diferente de um filme brasileiro que se o ator é canastrão, percebemos à quilômetros de distância. Faça um teste. Como estamos mais acostumados com a sonoridade da língua inglesa, assista a um filme russo e me diga se os atores ali são bons ou ruins. É um desafio. Mais uma vez nosso cinema já começa a partida perdendo. Não quero dizer com isso que somos coitadinhos, ou que o cinema nacional é uma maravilha, apenas que, se você ainda tá espalhando por aí que a gente só faz filme ruim, tá na hora de começar a ir mais ao cinema assistir nossas produções.

Fábio Porchat, O Estado de S. Paulo

26 de junho de 2016 | 02h00

PS: Falando nisso, (olha o jabá!) na quinta, 30/6, estreia o primeiro filme do Porta dos Fundos nos cinemas de todo o Brasil. Chama-se Contrato Vitalício! Pode ir que a diversão é garantida. Garantida por mim, eu sei, pode parecer meio suspeito, mas que é garantida, é!

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