''Cinema irrigou a sua pintura''

ENTREVISTA

Andrei Netto / Correspondente, PARIS, O Estado de S.Paulo

07 de abril de 2010 | 00h00

Dieter Buchhart

CURADOR DA EXPOSIÇÃO L"ANTI-CRI

Em entrevista ao Estado, por telefone, da Alemanha, o curador da mostra L"Anti-Cri fala da opção de deixar O Grito de lado e sobre os objetivos da mostra que trouxe Edvard Munch de volta a Paris, depois de nove anos.

A mostra de Paris não traz a obra mais reconhecida de Munch. A ideia foi escapar do imaginário comum sobre o pintor?

A ideia era estimular o público a ver Munch de maneira diferente. Ele não era apenas o homem que pintou O Grito.

É um desafio sintetizar o trabalho de um autor que tem 2.000 telas em apenas 111 trabalhos.

Não considero um desafio. Há museus, como o Munch, na Noruega, com mais de mil telas, mas entre elas não estão objetos que integram esta exposição. Conseguimos quadros de colecionadores. É uma parte de sua obra que está sendo revelada. Fica claro na exposição que Munch, além de ser o mestre expressionista, também fez trabalhos relevantes nas fases impressionista e simbolista. É um dos nossos propósitos com L"Anti Cri. Muito por causa de O Grito, Munch ficou conhecido, corretamente, como um dos fundadores do expressionismo. Mas isso não significa que Munch não tenha passagens importantes por outros estilos, que testemunham várias habilidades técnicas.

Outro aspecto na obra de Munch abordado é sua relação com a fotografia e o cinema.

Sem dúvida tiveram um impacto na sua obra. Na exposição mostramos que as narrações fílmicas, as perspectivas de câmera, as poses originadas na linguagem cinematográfica irrigaram sua pintura.

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