Cinema brasileiro dos anos 60 é revisto em livro

Nos anos 60, o cinema brasileiro ganhouo mundo e encontrou sua linguagem, seguindo o preceito de GlauberRocha de que para realizar um filme só era preciso uma câmera namão e uma idéia na cabeça. Para contar essa história, a editoraFraiha lança o livro As Grandes Personagens da História do CinemaBrasileiro, 1960/1969, com perfis de 71 pessoas que sedestacaram nessa época. "O tom é de homenagem e não de análisedo período, já muito estudado", diz a editora SílviaFraiha. "Ampliamos nosso foco para técnicos e outrosprofissionais porque eles foram tão importantes quanto diretorese autores de cinema." As Grandes Personagens é o segundo volume de umacoleção que pretende cobrir os mais de cem anos de nosso cinema.O primeiro, lançado em 2000, ia de 1930 a 1959, quando estúdioscomo Atlântida, Vera Cruz e Cinédia criaram no País umaHollywood tropical e levavam multidões às salas de exibição."Pensamos em abordar as décadas de 60 e 70, mas chegamos a 200nomes, o que tornava a obra inviável", explica o autor do textoEduardo Giffoni Flórido, um cinéfilo que diz ter passado boaparte da vida "de olhos grudados na tela". "Fechamos nos anos60, uma época rica em que se renovou a linguagem do cinemabrasileiro." Em vez do texto frio de enciclopédia, Giffoni escreveucom sua memória afetiva, embora seja preciso em datas e fatos."Além de informar, quis recorrer à memória afetiva e aoimaginário. Certos personagens de nosso cinema ainda estão vivosna nossa lembrança. Eu não consigo pensar em Leila Diniz ouGlauber como ausentes da nossa vida", comenta Giffoni. Eletambém não privilegiou nenhuma tendência da época. "Grosso modo, havia três correntes principais nos anos 60, o Cinema Novo, omarginal da Boca do Lixo e a nova comédia, representada porCostinha e outros cineastas. Todos foram importantes einfluenciam até hoje." Além do texto, o livro traz preciosas fotos. Leila Diniz, por exemplo, aparece em sua melhor forma ilustrando seu verbete, enquanto Glauber Rocha, Zelito Vianna, Nelson Pereira dosSantos e Luiz Carlos Barreto, ainda jovens, ilustram o textosobre o último. A foto da atriz Anecy Rocha (irmã de Glauber emulher de Walter Lima Jr., já falecida) com um minivestidobranco, faz sentir saudades do tempo em que ela era estrela epaixão do cinema nacional. Já profissionais como o fotógrafoOzualdo Candeias, o crítico Paulo Emílio Salles ou o técnico desom Sílvio Renoldi têm seus rostos pouco conhecidos revelado aopúblico. Há algumas ausências, como a de Nelson Pereira dosSantos, e a inclusão de outros nomes que começaram antes dosanos 60, como Roberto Farias. "Ele fez dois filmes nos anos 50,mas sua fase mais importante vem a partir de 1961, com OPagador de Promessas, Selva Trágica e os três filmes doRoberto Carlos", explica Giffoni. "Já o Nelson entrou no livroanterior porque Rio 40 Graus, de 1955, é um divisor deáguas. Quisemos mostrar que, enquanto se fazia chanchada e setentava um cinema hollywoodiano, já se preparava o Cinema Novoque aconteceria depois. No próximo livro devem entrar pessoascuja carreira começa nos anos 60, mas se firma nos 70." Para obter os R$ 200 mil necessários para fazer os 3 milexemplares do livro (que tem capa dura, papel cuchê e fartailustração), a Frahia Editora recorreu à Lei Rouanet e à leimunicipal de incentivo à cultura e foi patrocinada por Sesc-Rio,Eletronuclear e Thissen Krup. Também recorreu à venda adiantada de umterço da edição. "Por isso, só mil chegarão às livrarias e vãocustar R$ 60 cada um", afirma Sílvia.

Agencia Estado,

18 de fevereiro de 2003 | 17h17

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