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Cinema brasileiro, coletivo e ativista

Sessões e debates do Festlatino revelam força da nova geração

FLAVIA GUERRA, O Estado de S.Paulo

14 de julho de 2013 | 02h11

Dos 90 filmes que compõem o 8.º Festival de Cinema Latino-Americano, o Festlatino, que ocorre até dia 19, a grande maioria, sem dúvida, é assinada por jovens diretores. "Muitos estão em seus primeiros e segundos longas. E sinalizam com formas de produção diversas, que fogem dos modelos estabelecidos", salientou, em conversa com o Estado, Francisco Cesar Filho, um dos curadores do evento. "A colaboração, a realização coletiva e até a coprodução entre países, coisa que até então era rara, andam acontecendo de forma mais direta, espontânea e constante. É uma nova fase do cinema, muito jovem e colaborativa, que tem a ver com o espírito do festival."

Não por acaso uma das mais interessantes e significativas atividades do Festlatino ocorreu ontem e continua hoje das 14 h às 20 h, na Sala dos Espelhos do Memorial da América Latina: o Encontro de Coletivos Audiovisuais, com entrada aberta ao público em geral.

"A produção audiovisual de grupos, ainda que sem incentivos oficiais ou específicos, cresce cada vez mais. O encontro vai reunir vários coletivos atuantes, que vão falar de seu trabalho e mostrar sua produção", comenta Beatriz Seigner, membro da diretoria colegiada da seção paulista da ABD (Associação Brasileira de Documentaristas e Curtas-metragistas). "Vai ser uma ótima oportunidade para se pensar em como manter, fortalecer esse tipo de produção e organização", acrescenta o também diretor Marcelo Caetano, dos curtas Na Sua Companhia e Bailão. "E a ABD não representa só quem produz curtas e documentários, mas sim quem faz cinema em geral. Hoje, há diversos formatos, linguagens que se comunicam, formas de produzir que são colaborativas. O cenário hoje é complexo e rico", avalia Caetano.

Não é coincidência que ambos integram a diretoria da ABD-SP. Afinal, o encontro de coletivos faz justamente parte das comemorações dos 40 anos da ABD nacional. "Além de comemorar, queremos ampliar as ações da ABD-SP, para que se possa discutir novas formas de se fazer cinema, novos projetos, políticas públicas como, por exemplo, o da criação da SP Cine (agência de fomento a filmes em São Paulo), que destinará milhões para o cinema paulista em 2014", comenta Beatriz, que realizou seu primeiro longa, Bollywood Dream (2010), de forma independente. "Nossa geração tem de estar atenta para que os editais e as políticas, por exemplo, valorizem não só os projetos de potencial comercial, mas também garanta a diversidade", completa ela.

Nesse novo cenário, órgãos como a ABD ganham fôlego com o ingresso dos realizadores mais jovens, que, em consonância com o atual momento do País, têm atitude politicamente ativa e atenta e mais participação em relação ao poder público.

A diretoria colegiada da ABD-SP, além de debates, eventos e mostras em festivais como o Festlatino e o Internacional de Curtas de SP (que ocorre em agosto), também vem participando das discussões das diretrizes da criação da SP Cine, ao lado de outras entidades, como a Apaci (Associação Paulista de Cineastas), e tem feito diversas propostas. Entre elas, está a distribuição equilibrada dos recursos e a criação de um edital específico para Coletivos de Cinema.

Se for aprovado, o edital será passo importante para o avanço da política de incentivos não só à produção, mas também no cinema como arte de pesquisa e processo. "O teatro já possui editais para grupos e companhias. É muito importante o trabalho de grupos que desenvolvem pesquisas audiovisuais, que fazem também um trabalho de importância social", comenta Caru Alves de Souza, também diretora, que estreia seu primeiro longa, De Menor, em breve, e integra a diretoria colegiada da ABD-SP.

O fato de a nova diretoria da entidade ser um colegiado é significativo para esse novo cinema ativista que se faz presente. "Em vez de hierarquia rígida, em que muitas responsabilidades ficam nas mãos do diretor, na forma colegiada e horizontal, todos participam e sabem de tudo o que acontece", diz o produtor Matias Mariani, da Primo Filmes, também diretor da ABD-SP. Além do encontro de coletivos,

Durante o Festlatino, foi organizado o debate Cinema e Luta de Classes, na sexta, uma inédita consultoria de projetos e uma retrospectiva histórica com a exibição de produções que marcaram os 40 anos da ABD nacional. A mais antiga associação de realizadores do País foi criada por nomes como Thomaz Farkas, Aloysio Raulino, Guido Araújo e Sérgio Santeiro,

Dos anos 1970, há curtas como Feira da Banana (Guido Araújo, 1973), e Migrantes (João Batista de Andrade, 1972). Da década de 1980, Noites Paraguayas (1982), único longa de Aloysio Raulino foi o escolhido. Os anos 1990 contam com Rota ABC (Francisco Cesar Filho, 1991) e o longa O Sertão das Memórias (José Araújo, 1997).

Representando o surgimento da regionalização e de grupos nos anos 2000, como a Teia mineira, há Acidente (Cao Guimarães e Pablo Lobato, 2008). O momento atual, coletivo e regional, surge com a produção do Distrito Federal A Cidade É Uma Só? (Adirley Queirós, 2012)e o curta pernambucano A Onda Traz, o Vento Leva (Gabriel Mascaro, 2012).

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