Cineasta sueco Ingmar Bergman morre aos 89 anos

Autor de clássicos como 'O Sétimo Selo' e 'Morangos Silvestres' morreu na ilha de Faro, na Suécia

Agências internacionais,

07 Julho 2030 | 07h06

O lendário cineasta sueco Ingmar Bergman morreu nesta segunda-feira, 30, aos 89 anos, informou a TT, agência de notícias do país. Citando Eva Bergman, filha de diretor, a agência afirmou que Ingmar morreu em sua casa na ilha de Faro, na Suécia, na manhã desta segunda-feira, 30.   Veja também: Galeria de fotos Cena de Morangos Silvestres Cena de Fanny e Alexander Cena de O Sétimo Selo Blog do Piza: Uma lágrima para Bergman    Blog do Zanin: Morreu Ingmar Bergman     Blog do Merten: A morte de Bergman     Uma das figuras-chave do cinema moderno, ele realizou filmes clássicos como O Sétimo Selo, Gritos e Sussuros e Morangos Silvestres. Ao longo da carreira de mais de 60 anos, ele criou 54 filmes, 126 produções teatrais e 39 peças de rádio, além de programas para a televisão.   Os filmes de Bergman,  um dos fundadores da Academia Européia de Cinema, criada em 1988, têm quase sempre como tema o sexo, a solidão e a busca pelo sentido da vida, o que o tornou conhecido internacionalmente como um autor complexo, atormentado e obscuro.   Entre outras homenagens, Bergman recebeu os prêmios Erasmus (1965), Internacional de Teatro Luigi Pirandello (1971) e Goethe (1976), além da Medalha de Ouro da Academia Sueca (1977), do título de comendador da Legião de Honra francesa (1985). O maior festival de cinema do mundo corrigiu uma de suas grandes injustiças e lhe concedeu o prêmio máximo, a Palma das Palmas, por sua carreira, no Festival de Cannes de 1997.   Reconhecimento: O Sétimo Selo Bergman nasceu em 1918 na cidade de Upsala, 70 quilômetros ao norte de Estocolmo. Teve o primeiro contato com o cinema ainda criança, como ajudante de projeção em salas de cinema. Ele teve uma infância traumática, em que costumava apanhar do pai, um pastor luterano. Depois de cursar o 1.º grau em Estocolmo, estudou teatro e cinema na Universidade de Estocolmo, fazendo sua estréia como diretor em 1945, com o filme Crise, ao mesmo tempo em que investia na carreira de dramaturgo, sendo ajudante no Real Teatro da Ópera de Estocolmo.   Em 1956, o reconhecimento internacional veio com O Sétimo Selo, no qual está a clássica cena em que o cavaleiro medieval, à procura de Deus e do sentido da vida, joga xadrez com a morte. No ano seguinte, o filme recebeu o prêmio do júri no Festival de Cinema de Cannes. Ganhou o Oscar, prêmio máximo do cinema mundial, por três vezes. Recebeu a estatueta destinada ao melhor filme estrangeiro por A Fonte da Donzela, em 1959; por Através de Um Espelho, em 1960; e por Fanny e Alexander, em 1983. Este último também recebeu os prêmios de fotografia, direção de arte e figurinos. Na década de 70 e 80, Bergman resolveu investir em peças e se tornou diretor do Real Teatro Dramático de Estocolmo. Nesta etapa, fez montagens como A Menina Julie e O Sonho, ambos de Strindberg; Hamlet, de Shakespeare, Longa Jornada Noite Adentro, de Eugene O'Neill, Casa de Bonecas e Peer Gynt, ambos de Ibsen, e Conto de Inverno, de Shakespeare.     Auge e TV   Em 1983, o cineasta voltou a receber quatro estatuetas (inclusive, de novo, na categoria melhor filme estrangeiro) por Fanny e Alexander, um filme com versões de três e cinco horas. Após o sucesso de Fanny e Alexander, o diretor anunciou sua aposentadoria do cinema. No final de 1995, deixou o Teatro Dramático para ficar responsável pelos espaços cênicos da televisão pública sueca STV, tendo criado apenas alguns especiais, como o elogiado Saraband (2003).    Bergman se estabeleceu então na ilha Faro (conhacida como a ilha "das ovelhas"), na costa sudeste da Suécia. Durante o verão (junho a setembro), a ilha celebra a vida e obra de Bergman.   Em 18 de julho, fez um último relato público, de uma hora e meia, sobre sua vida pessoal e artística em um programa ao vivo da Rádio Nacional da Suécia, expressando que se considerava um "homem de teatro". O cinema era, para ele, "um trauma e uma paixão".     Vida pessoal     Bergman foi casado cinco vezes e teve nove filhos. Sua primeira mulher foi Elsie Fischer, com quem teve uma filha. Com Ellen Lundstrom, teve quatro filhos, entre eles uma atriz, Anna.   Sua terceira e quarta esposas foram, respectivamente, Gun Hagberg, com quem teve um filho, e a pianista finlandesa Kabi Laretei, mãe de seu filho Daniel, também diretor de cinema. Sua quinta esposa, Ingrid von Rosen, morreu em 1995.   Bergman teve relacionamentos extraconjugais com as atrizes Harriet Andersson e Liv Ullman (com quem teve sua filha Linn, jornalista).       Confira sua filmografia:   2003 - Saraband (Saraband) (TV) 2000 - Bildmakarna (TV) 1997 - Larmar och gör sig till (TV) 1995 - Sista skriket (TV) 1993 - Backanterna (TV) 1992 - Markisinnan de Sade (TV) 1986 - Document: Fanny and Alexander 1984 - Depois do ensaio (Efter repetitionen) 1983 - Karins ansikte 1982 - Fanny e Alexander (Fanny och Alexander) 1980 - Da Vida das Marionetes (Aus Dem Leben der Marionetten) 1979 - Farödokument 1979 1978 - Sonata de outono (Höstsonaten) 1977 - O ovo da serpente (Das schlangenei) 1976 - Face a face (Ansikte mot ansikte) 1974 - A Flauta Mágica (Trollflöjten) 1973 - Cenas de um Casamento (Scener ur ett äktenskap) (TV) 1972 - Gritos e Sussurros (Viskningar och rop) 1971 - A Hora do Amor (Beroringen) 1969 - Farödokument 1969 - O Rito (Ritten) 1969 - A Paixão de Ana (En Passion) 1968 - Vergonha (Skammen) 1968 - A Hora do Lobo (Vargtimmen) 1967 - Stimulantia 1966 - Quando Duas mulheres Pecam (Persona) 1964 - Para Não Falar de Todas Essas Mulheres (For Att Inte Tala Om Alla Dessa Kvinnor) 1963 - O Silêncio (Tystnaden) 1962 - Luz de Inverno (Nattvardsgästerna) 1961 - Através de Um Espelho (Sason I Em Spegel) 1960 - O Olho do Diabo (Djavulens oga) 1959 - A Fonte da Donzela (Jungfrukällan) 1958 - O Rosto (Ansiktet) 1957 - No Limiar da Vida (Nära livet) 1957 - Morangos Silvestres (Smultronstallet) 1956 - O Sétimo Selo (Det Sjunde Inseglet) 1955 - Sorrisos de Uma Noite de Amor (Sommarnattens Leende) 1955 - Sonhos de Mulheres (Kvinnodröm) 1954 - Uma Lição de Amor (En Lektion I kärlek) 1953 - Noites de Circo (Gycklarnas Afton) 1952 - Mônica e o Desejo (Sommaren Med Monika) 1952 - Quando as Mulheres Esperam (Kvinnors Väntan) 1951 - Juventude, Divino Tesouro (Sommarlek) 1950 - Isto Não Aconteceria Aqui (Sant Händer Inte Här) 1949 - Rumo à Alemanha (Till Glädje) 1949 - Sede de paixões (Torst) 1949 - Prisão (Fängelse) 1948 - Porto (Hamnstad) 1948 - Música na Noite (Musik I Moker) 1947 - Um Barco Para a Índia (Skepp Till India Land) 1946 - Chove em Nosso Amor (Det Regnar Pa Var Kärlek) 1945 - Crise (Kris) (Matéria alterada às 14h40 com correções e novas informações)

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