Cineasta retrata a vida 'no tempo das pílulas mágicas'

Ainda não sabemos a fundo quais efeitos colaterais estamos de fato expostos, diz Steve Soderbergh

FLAVIA GUERRA, O Estado de S.Paulo

23 de maio de 2013 | 02h09

"Vivemos a geração 'pílula mágica'. Tudo pode ser remediado. Ou não. Isso tem o lado bom, já que a medicina avança, mas os efeitos disso podem ser pesados. Em francamente, ainda não sabemos a fundo quais efeitos colaterais estamos de fato expostos", declarou o diretor Steve Soderbergh sobre o filme que apresentava no último Festival de Cinema de Berlim, em fevereiro. Não por acaso o nome do longa em inglês é Side Effects (Efeito Colateral). Mas o nome em português também define bem como o diretor retrata a prática de se adotar indiscriminadamente remédios para males como a depressão que a personagem principal enfrenta: Terapia de Risco. É exatamente como o mundo de hoje faz uso generalizado e até descuidado, das 'pílulas mágicas' a premissa do diretor, mas é também como isso se torna thriller psicológico que intriga e surpreende neste que pode ser o último longa exclusivamente 'feito para o cinema' de Soderbergh. Recentemente o diretor anunciou que é "na TV que hoje se permitem criar histórias mais criativas e ousadas." E que estava deixando o cinema."

Soderbergh parece estar, até o momento, cumprindo sua palavra. Tanto que o novo longa que leva este ano ao Festival de Cannes, Behind the Candelabra, é um projeto originalmente feito para a TV produzido pela HBO,

De volta ao penúltimo filme, é protagonizado por Rooney Mara, Jude Law e Catherine Zeta-Jones. A priori, trata-se do drama sobre a jovem Emily Taylor (Mara), que inicia o filme no momento em que seu marido Martim (Channing Tatum) está prestes a sair da cadeia após quatro anos cumprindo pena por inside trading. Em vez de superar a crise, Emily cai em depressão, tenta se matar e vai parar nas mãos do renomado psiquiatra Jonathan Banks ( Law). O tratamento parece ir bem até que ela assassina o marido, sob efeito de um novo remédio. "O que está em discussão é se há, ou não, controle possível para os efeitos de remédios tão comuns a todos nós hoje em dia", disse Soderbergh ao Estado. "E em que momento um médico se torna responsável pela vida de um paciente?"

Inspirado na experiência real do roteirista Scott Z. Burns, que, para escrever a premiada série Wonderland, frequentou a ala psiquiátrica do Hospital Bellevue, um dos maiores de Nova York, o filme joga luz, ainda que não ilumine totalmente, estes meandros da sociedade moderna. "Há muito o que ser explorado e também filmado. Seja em um drama ou um thriller. O que meu filme é? Decida você."

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