Cineasta quer filmar história do Rio da Prata

O cineasta luso-brasileiro Davide Quintans pretende somar experiências desenvolvidas na Europa e no Brasil para produzir Colônia do Sacramento, série em cinco capítulos (52 minutos cada um). A partir da série televisiva, ele pretende editar um longa-metragem de 90 minutos, capaz de sintetizar os principais momentos da luta entre portugueses e espanhóis pelo domínio da região do Rio da Prata. O roteiro, escrito por Eduardo Bueno, o Peninha, autor dos best sellers A Viagem do Descobrimento e Náufragos, Traficantes e Degredados, já recebeu versão final e deverá ser publicado em livro. Colônia do Sacramento terá direção de Sérgio Sanz, ator em Porto das Caixas, de Paulo Cezar Saraceni, e autor de vários documentários (entre eles, O Caminho das Onças). "A série e o longa-metragem resultarão em documentário enriquecido com inserções ficcionais", explica Quintans. Por isso, ele vem mantendo contato com atores lusitanos (Diogo Infante, Morais e Castro, Rui Mendes e Isabel de Castro) e brasileiros (Bete Mendes, Araci Esteves e Cláudio Marzo) para que participem do projeto. Caberá aos atores portugueses interpretar famílias que deixaram a região de Trás-os-Montes, no nordeste de Portugal, para viver a aventura da colonização no Novo Mundo. A narração da série e do documentário caberá a Hugo Carvana. Quintans, de 58 anos, nasceu em Lisboa, foi ator de teatro e, depois, iniciou-se no cinema, na Tobis portuguesa. Trabalhou na TV francesa. Regressou a Portugal, até radicar-se em São Paulo, em 1970. Morou no Rio, época em que trabalhou com Nelson Pereira dos Santos e Ney Sant´Anna. Quem viu Memórias do Cárcere, que Nelson realizou a partir da obra homônima de Graciliano Ramos, lembra-se de seu personagem (encarcerado-anarquista que tumultuava a vida dos companheiros ao imitar de forma estridente o canto de um galo). Quintans trabalhou também em Sonhei com Você, de Ney Sant´Anna, estrelado pela dupla Milionário e José Rico. Na área da direção, o cineasta-ator assinou o longa ficcional Um Homem Tem Que Ser Morto (1973), vários curtas (entre eles Lupe: Profissão Boêmio e Colombina Forever) e médias-metragens (Gramado: Três Décadas de Cinema e Delírio, Morte de Um Retirante). Deve voltar ao set - depois que produzir Colônia do Sacramento - para dirigir o infanto-juvenil Drácula Júnior - Meu Doce Vampiro. O produtor garante que "Colônia do Sacramento será essencialmente documental e fiel aos fatos históricos". Por isso, "as cenas ficcionais apenas suprirão a ausência de documentação iconográfica do período (séculos 17 e 18)". A Colônia do Sacramento foi fundada em 1680 e tornou-se cenário de um dos mais longos e sangrentos conflitos protagonizados por Portugal e Espanha no Novo Mundo. Os dois poderosos Reinos disputavam a ampliação dos limites de seus vastos impérios. "Durante 97 anos (de 1680 a 1777), as duas Coroas lutaram pela posse da pequena cidade erguida à margem esquerda do Rio da Prata", diz o produtor. "O florescimento do povoado de Colônia do Sacramento induziu os espanhóis a investir no crescimento de Buenos Aires, povoação até então colocada em segundo plano. Se a Espanha fortalecia seus territórios no que é hoje a América Hispânica, os portugueses faziam o mesmo na parte que lhes cabia (e que deu origem a um único país, o Brasil). Fundaram Laguna, no que é hoje o Estado de Santa Catarina, e Rio Grande (no Rio Grande do Sul)." Depoimentos - Colônia do Sacramento contará com depoimentos dos historiadores Almirante Max Justo Guedes (Brasil); Luís Ferran de Almeida, da Universidade Coimbra, em Portugal, e do uruguaio Fernando Assunção. As filmagens da série e do filme estão previstas para outubro e o lançamento - torce Quintans - "deve ocorrer no 31.º Festival de Gramado, em agosto de 2003". Profissionais gaúchos como Roberto Henkin (fotografia), Geraldo Flack (música), Cristiane Luz e Zé Netto (co-roteiristas) completam a equipe. O projeto, orçado em R$ 2,3 milhões, está autorizado a captar recursos pela Lei do Audiovisual e pela Lei de Incentivos Fiscais do Rio Grande do Sul. Interessados em patrocinar Colônia do Sacramento (série, filme e livro) devem manter contato com a corretora Sagres DTVM, em São Paulo (tels: 3815-3278/3281/3296) ou com o próprio Davide Quintans, em sua produtora, a Prodifilme, no Rio Grande do Sul (fone/fax 51-3342-3699).

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