Divulgação
Divulgação

Cineasta do lado obscuro

Para seu biógrafo, Roman Polanski exibe um humor sinistro, mesmo nas comédias

Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

17 de agosto de 2011 | 00h00

Na continuação da entrevista, Christopher Sandford comenta sobre Chinatown, seu filme preferido entre os dirigidos por Roman Polanski.

Por que Polanski desperta o fascínio do público ao apresentar o mal, seja o Diabo em O Bebê de Rosemary, seja o pai incestuoso de Chinatown?

Polanski não é um cineasta da comédia - basta ver Piratas, de 1986, filme que ele desejou fazer durante anos e, quando conseguiu, enfrentou muitos problemas. Aliás, os bastidores são mais interessantes que a própria trama, com brigas constantes, estouro de orçamento e uma série de homens de preto na praia, esperando pela volta da equipe que filmava em um enorme galeão - na verdade, representantes dos investidores prontos para cobrar explicações dos gastos. Enfim, Polanski é melhor observador do lado obscuro do ser humano que de sua jovialidade, ainda que seu trabalho seja sempre marcado por um humor negro - não o que distingue Woody Allen, mas um humor sinistro.

Ao mesmo tempo, ele exibe uma inquestionável simpatia pela mulher em seus filmes.

Polanski sempre desfrutou com prazer da companhia feminina, mas é curiosa essa observação, pois ele tanto foi criado em uma época em que a cultura era dominada pelos homens como teve pouca convivência com a mãe, ou seja, seria naturalmente um misógino. Mas, como sobrevivente de uma guerra e, depois, de um país dominado pelo regime comunista (como era a sua Polônia), era esperado que ele quisesse desfrutar a vida, o que foi possível na sociedade ocidental dos anos 1960 e 70, marcada por um grande liberalismo, para onde foi viver. Assim, considero justificável esse carinho que surge na tela às mulheres.

Entre os filmes de Polanski, qual o seu preferido?

Gosto muito de sua fase inicial, polonesa, que apresenta sua visão vigorosa e claustrofóbica ao mundo cinematográfico. Mas, sem fugir de sua pergunta, meu preferido é Chinatown. Trata-se do mais completo, com perfeitas interpretações, roteiro complexo, e um domínio total da linguagem cinematográfica. Polanski disse, certa vez, que mudaria alguma coisa em todos seus longas, exceto em Chinatown. Concordo plenamente.

POLANSKI - UMA VIDA

Autor: Christopher Sandford

Tradutor: Roberto Muggiati

Editora: Nova Fronteira(490 págs.,R$ 59,90)

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.