Cine tela: 5 anos com pé na estrada

Iniciativa de projeção itinerante agora também inclui oficinas na periferia

Flavia Guerra, O Estado de S.Paulo

25 de maio de 2010 | 00h00

Tudo começou com o Cine Mambembe, quando a diretora Laís Bodanzky e o roteirista Luiz Bolognesi, cansados de ver o cinema de curta-metragem "sem tela" para ser visto, resolveram botar um projetor e alguns rolos de filme no porta-malas do carro e rodar o Brasil mostrando os "sem tela" para a população "sem cinema". Comunidades como as de Caraívas, na Bahia, que nem luz elétrica tinham, puderam assistir na tela grande, ainda que a céu aberto, a filmes como A Velha a Fiar, de Humberto Mauro.

O que era Mambembe se profissionalizou e virou Cine Tela Brasil. Há cinco anos, o projeto ganhou patrocínio e mais estrutura. Em vez de um porta-malas, o cinema itinerante de Laís e Bolognesi passou a viajar em caminhões e a ser exibido em tela maior ainda, mas desta vez em uma grande tenda, com cadeiras, som moderno e até pipoca.

Hoje, ainda que apenas 7,3% dos municípios brasileiros não possuam cinema, a dupla tem muito o que celebrar. Dez anos depois da primeira sessão, o projeto já viajou a 300 cidades, exibiu 72 filmes nacionais e atingiu a marca de 700 mil espectadores com 88% de taxa de ocupação. Para comemorar, duas tendas (ou salas de cinema itinerante) do Cine Tela serão montadas em frente do Memorial da América Latina. De hoje a sábado vão abrigar uma mostra fotográfica com as cenas mais marcantes das viagens feitas pela equipe. "A entrada é franca. Em uma das salas, está a exposição que tem quatro ambientes, o Cine Mambembe, Cine Tela Brasil, Oficinas Itinerantes e Portal Tela Brasil. É uma forma de viajar pelo projeto", contou Laís.

Na segunda tenda, entre amanhã e sexta, os campeões de audiência do projeto serão exibidos em vários horários. "É emocionante ver como conseguimos levar tantas pessoas pela primeira vez ao cinema. Isso não tem preço", comentou Bolognesi em encontro com o Estado no Jardim Ângela, há uma semana.

Roteirista e diretora desta vez não participavam de mais uma exibição, mas de uma das etapas do projeto Oficinas Cine Tela, criado há três anos. À frente de sucessos como Bicho de Sete Cabeças e As Melhores Coisas do Mundo, Laís e Bolognesi ouviam atentos as ideias de um grupo de cerca de 20 moradores do bairro da zona sul paulistana. Filhote do Cine Tela, o Oficinas dá um passo além e, em vez de só formar público para o cinema nacional, forma também realizadores. "A ideia agora é ensinar jovens de baixa renda a produzir audiovisual. São apenas 15 dias, mas muito proveitosos em que aprendem desde roteiro a edição, passando por produção e exibição. Vários curtas, já premiados em festivais, também serão exibidos no Memorial", explicou Edu Abad, coordenador pedagógico do Oficinas.

No sábado, a turma vai exibir seus curtas, realizados em 15 dias de oficinas, para a população do Jardim Ângela e para uma convidada de honra, a atriz Maria Fernanda Cândido.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.