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Cine PE termina nesta quarta-feira

Recife confirma seu status de ser o grande festival de público do cinema nacional

LUIZ CARLOS MERTEN - O Estado de S.Paulo,

02 de maio de 2012 | 03h07

RECIFE - Devido às falhas técnicas e humanas que resultaram em problemas de projeção, o Cine PE Festival do Audiovisual, que termina hoje, chegou ao fim embolado. Ontem foram exibidos os últimos concorrentes. Na grade original, seriam dois longas, mas, por conta da necessidade de (re)exibir Boca, de Flávio Frederico, eles foram três, mais os curtas. A sessão, que começou por volta de 17 h, estendeu-se até o fim da noite (o início da madrugada?).

Esse acúmulo de filmes não deixa de ser prejudicial, pela urgência com que terão de ser tomadas as decisões. Não há como antecipar o que poderá fazer o júri presidido por João Batista de Andrade, cineasta cuja obra se pauta pelo recorte político, sem deixar de ter, em seus melhores momentos, preocupações de linguagem - na forma de abordar documentário e ficção. Um ator como Matheus Nachtergaele, que interpreta o filme mudo Na Quadrada das Águas Perdidas, que passou ontem, é sempre candidato a melhor.

Com exceção da primeira noite, a mais fraca de público, Recife confirmou seu status de ser o grande festival de público do cinema brasileiro. As sessões no Cine-Teatro Guararapes lotaram, e em diversos filmes a plateia esteve bem entusiasmada. Boa parte da seleção contemplou obras de conteúdo musical, ou filmes tratando de perdas ou relações familiares, entre pais e filhos.

Uma eventual derrota de Paraísos Artificiais, de Marcos Prado, que estreia sexta nos cinemas, não prejudicará o filme que traz para a tela (e o cinema brasileiro) o universo da música eletrônica? Foi a pergunta que o repórter fez ao diretor e Prado, que filmou parte da produção numa praia próxima, respondeu convicto de que, se Paraísos perder, não será por falta de qualidade.

O melhor, na avaliação parcial que podia ser feita ontem, é o documentário de Pedro Bial e Heitor d'Alincourt sobre Jorge Mautner, O Filho do Holocausto. Cacá Diegues, homenageado aqui no Recife, comentou com o ex-genro - Bial foi casado com sua filha, Isabel -, que O Filho do Holocausto é documentário com um gostinho de ficção. Matou a charada. O filme é ótimo, e como tributo a Mautner, necessário e absoluto.

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