Cine Olido realiza mostra em homenagem a Reichenbach

Galeria apresenta 'Dois Córregos' às 15 h, 'Alma Corsária', às 17 h e Bens Confiscados, às 19h30

AE, Agência Estado

13 Julho 2012 | 10h38

SÃO PAULO - Considerado um dos maiores autores do cinema paulista (e brasileiro), Carlos Reichenbach foi também um cinéfilo apaixonado. O italiano Valério Zurlini era seu diretor preferido e, buscando uma aproximação com Dois Destinos (Cronaca Familiare), obra-prima de seu mestre, ele deu o título de Dois Córregos ao longa que fez em 1999. Na época, o próprio Reichenbach, conhecido como Carlão, admitiu que havia tomado A Primeira Noite de Tranquilidade como referência, mas a atriz Ingra Liberato, que faz Teresa - e é um belo e complexo papel -, disse que ele lhe falava o tempo todo de outro filme de Zurlini, A Moça com a Valise, interpretado por Claudia Cardinale.

Dois Córregos é um dos filmes que integram a programação especial que o Cine Olido dedica neste sábado a Carlos Reichenbach, homenageando o cineasta que morreu em 14 de junho, no mesmo dia em que completava 67 anos. A sala da Secretaria Municipal de Cultura, na Galeria Olido, vai exibir Dois Córregos (15 h), Alma Corsária (17 h) e Bens Confiscados (19h30). Os filmes não serão apresentados na ordem cronológica. Dois Córregos seguiu-se a Alma Corsária, de 1993, e Bens Confiscados é de 2005. Pode ser que outros filmes expressassem de forma até melhor as concepções autorais de Reichenbach, e seria interessante comparar Filme Demência, o seu Fausto, com a adaptação da obra de Goethe pelo russo Alexander Sokurov, em cartaz nos cinemas. Mas, especialmente os dois primeiros, são obras importantes do cineasta.

Alma Corsária havia nascido como Alma Gêmea, no começo dos anos 1980. Os mais de dez anos que Reichenbach levou para concretizar o projeto o fizeram refletir sobre o cinema (e a vida). Zurlini morreu em 1982 e isso deve ter contribuído para que o diretor quisesse dar um testemunho sobre sua geração. São três amigos que lançam um livro de poesias. O evento, realizado numa pastelaria, reúne uma galeria de tipos bizarros e o relato retrocede aos anos 1950 para mostrar como começou a amizade. O elenco é irregular, como a própria narrativa, permeada de delírios e sonhos, mas o retrato geracional possui momentos de intensa bravura.

Dois Córregos, que tem o subtítulo de Verdades Submersas no Tempo, é centrado na relação de um homem misterioso com duas adolescentes que passam o fim de semana num sítio. Ele participou da luta armada e a narrativa também se desenrola em dois tempos, nos anos 1960 e 90, para refletir sobre a resistência ao regime militar e o tipo de cinema que Reichenbach gostava de fazer.

O diretor surgiu na Boca do Lixo, mas como Claude Chabrol - que dizia que filmava não importa o quê, mas nunca não importa como -, Reichenbach foi sempre autoral. Zurlini ocupava o altar-mor de seu panteão particular, mas, com o tempo, exasperado pelo que lhe parecia a mediocridade do cinema industrial, tornou-se defensor ardoroso de transgressores como Ruggero Deodato (de "Canibal Holocaust"). Carlão amava a cena de "Dois Córregos" em que a personagem Lídia executa "Flammes Sombres", de Alexander Skriabin, ao piano. A música - Skriabin, César Frank - é decisiva na atmosfera intimista que coloca em questão a política. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo

HOMENAGEM A CARLOS REICHENBACH

Cine Olido (Avenida São João, 473). Tel. (011) 3331-8399. Sábado, às 15 h, 17 h e 19h30. R$ 1.

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