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Cine Fantasy traz o melhor do cinema fantástico a São Paulo

Adorado por Quentin Tarantino e Sérgio Leone, Ruggero Deodato está na cidade com seu clássico do gênero, 'Cannibal Holocaust'

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

23 de novembro de 2011 | 03h08

Quentin Tarantino o adora e Ruggero Deodato é o primeiro a se divertir. "Nos últimos anos, tenho viajado muito. Me convidam para os mais diversos lugares, para mostrar meus filmes e para que eu assine autógrafos." Deodato está no Brasil como parte de seu tour pelo mundo. Veio para o Cine Fantasy, o principal evento de cinema fantástico da cidade, com obras de fantasia, ficção científica e horror.

O Cine Fantasy ocorre na Sala Cinemateca, onde haveria, ontem à noite, um debate com o diretor, após da exibição de seu clássico Cannibal Holocaust.

Deodato agradece a Deus pela existência de um filme chamado A Bruxa de Blair. "Quando a Bruxa virou um fenômeno mundial, muitos jornalistas foram atrás da notícia. Na Itália, iam ouvir o público na saída das sessões. E havia os espectadores veteranos que lembravam do meu Cannibal Holocaust, feito 20 anos antes." Quando Deodato fez Cannibal Holocaust, em 1980, o mundo pareceu desabar sobre ele. Sérgio Leone foi dos primeiros a perceber a importância do filme. Ele escreveu a Ruggero Deodato uma carta que ficou famosa. "Caro Ruggero", começa. Diz que a primeira parte do filme é "normal", mas a segunda é um capolavoro, uma obra-prima.

Leone antecipou que Deodato teria problemas por causa do realismo de suas cenas. Alguns anos antes, ele fizera seu primeiro filme de canibais, baseado na história real do herdeiro da fortuna Rockfeller, que se perdeu na selva. Com Cannibal Holocaust, resolveu radicalizar. Uma equipe de TV investiga tribos primitivas da Amazônia. O grupo desaparece na selva e, mais tarde, são descobertos os registros filmados por seus integrantes. O grupo foi devorado pelos canibais. Tudo a ver com A Bruxa de Blair e, ao mesmo tempo, nada.

O homenageado do Cine Fantasy deste ano chegou ao cinemas pela mão de Roberto Rossellini. Foi seu assistente em sete filmes, incluindo De Crápula a Herói, que integra a mostra Pirelli de obras-primas restauradas do cinema italiano. "É um filme extraordinário. (Vittorio) De Sica é grandioso", avalia. Nos anos 1960 e 70, houve um surto de antropofagia no cinema mundial. Jean-Luc Godard (Week-End), Pier Paolo Pasolini (Porcile), Nelson Pereira dos Santos (Como Era Gostoso o Meu Francês). Todos esses autores buscavam a dimensão política da antropofagia, ao tratar das relações de poder no mundo capitalista ou do abismo que separa colonizados e colonizadores, dominados e dominadores. Deodato, não. "Nunca me preocupei com o possível simbolismo dos meus canibais. O que me interessava, como discípulo de Rossellini, era o realismo." É o que, faz, até hoje, a força e impacto de seu filme, adorado por Tarantino e, no Brasil, por Carlos Reichenbach.

 

6º Cine Fantasy

Onde: no Cinesesc, Centro Cultural São Paulo e Biblioteca Viriato Correa.

Programação: www.cinefantasy.com.br

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