Jacques Brinon/AP Photo
Jacques Brinon/AP Photo

Cinco quadros são roubados em museu de Paris, incluindo um Picasso

Sistema de segurança estava inativo na hora do crime; valor é estimado em até 500 milhões de euros

EFE

20 de maio de 2010 | 08h31

PARIS - Cinco obras-primas, entre elas "Le pigeon aux petits pois", de Pablo Picasso, e "La pastorale", de Henri Matisse, foram roubadas nesta quinta-feira, 20, do Museu de Arte Moderna da cidade de Paris, confirmaram fontes próximas à investigação. O valor total das obras roubadas foi estimado em 500 milhões de euros, mas as autoridades afirmam que a quantia ainda deve ser confirmada. 

 

Os ladrões também levaram "L'olivier près de l'Estaque", de Georges Braque, "La femme à l'éventail", de Amédéo Modigliani, e "Nature morte aux chandeliers", de Fernand Léger, indicaram as fontes.

 

O sistema de segurança do museu, inclusive algumas das câmeras de vigilância, estiveram quebrados nos últimos dias, segundo um policial. O vice-secretário de Cultura de Paris, Christophe Girard, confirmou que o sistema estava fora de operação no momento do roubo. Segundo ele, apenas um criminoso mascarado foi flagrado pelas câmeras.

 

Os investigadores tentam determinar se a pessoa agiu sozinha, disse Girard. Ele afirmou que as pistas encontradas até agora apontam para uma ação de roubo "bastante sofisticada". O vice-secretário informou que três guardas faziam a vigilância do museu na noite do roubo, mas disse que nenhum deles viu algo. Segundo as investigações, o ladrão entrou nos domínios do museu rompendo o portão e invadiu o edifício quebrando uma das janelas.

 

Valor

 

A Promotoria de Paris inicialmente estimou em 500 milhões de euros o valor total das obras roubadas, mas Girard posteriormente corrigiu e informou que a quantia "não passava dos 100 milhões de euros". Segundo ele, "Le pigeon aux petits-pois" é estimado em 23 milhões de euros, e "La Pastorale" em 15 milhões de euros.

 

Alice Farren-Bradley, do Departamento de Registros de Perdas de Obras de Arte de Londres, disse que o roubo desta quinta "parece ser um dos maiores" da história, se for considerado seu valor e a proeminência das obras e de seus autores.

 

O Museu de Arte Moderna de Paris, propriedade municipal, está situado junto ao Teatro de Chaillot, em frente à Torre Eiffel. Inaugurado em 1961, possui coleções que ilustram diferentes correntes da arte do século XX.

 

O museu, com mais de 8.000 obras em suas salas, possui entre suas peças mais conhecidas "La Danse", de Matisse; "Le Nu dans le bain" e "Le Jardin", de Bonnard; "L'équipe de Cardiff", de Robert Delaunay, "La Rivière", de Derain, o "Les Disques", de Léger.

 

Roubos

 

A abundante obra de Picasso exposta nos museus da capital francesa tem sido objeto de diferentes roubos nos últimos anos.

 

O último aconteceu em junho de 2009, quando um caderno de desenhos do pintor malaguenho, avaliado em 3 milhões de euros, foi roubado do Museu Picasso quando este estava fechado para obras.

 

Em fevereiro de 2007, os ladrões roubaram da casa parisiense Diana Widmaier-Picasso, neto do criador do cubismo, dois de suas obras avaliadas em cerca de 50 milhões de euros.

 

"Maya à la poupée" (1938) e "Portrait de Jacqueline" (1961) foram recuperados pela polícia seis meses mais tarde.

 

Marina Picasso, outra neta do pintor, teve quinze quadros roubados em sua casa em Cannes em 1989, que reapareceram quadro dias depois.

 

Em janeiro de 2004, uma natureza morta de Picasso foi roubada do museu Geroges Pompidou de Paris, e achada três meses mais tarde.

 

Entretanto, o roubo mais importante na França remota 1976, quando foram roubadas 118 obras de Picasso do museu Avignon.

 

Outros roubos de obras de Picasso aconteceram em Zurique, onde em 1994 desapareceram quase vinte telas em uma galeria de arte, e Londres, onde em 1997 um homem levou a escultura "Tète de Femme", já recuperada.

 

No Rio de Janeiro levaram, em 2006, "O retrato de Suzanne Bloch" e em São Paulo foram roubadas em dezembro de 2007 e junho de 2008 três obras do gênio malaguenho, já encontradas pela polícia brasileira.

 

(Atualizado às 12h03)

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