Cildo Meireles ganha o premio Velázquez 2008, na Espanha

Segundo Ministério da Cultura espanhol, 'a obra do artista brasileiro postula um compromisso político'

Reuters,

19 Fevereiro 2008 | 15h52

O artista brasileiro Cildo Meireles recebeu nesta terça-feira, 19, o Prêmio Velázquez de Artes Plásticas 2008, em reconhecimento a sua trajetória artística, anunciou o ministro da Cultura espanhol, César Antonio Molina, em entrevista coletiva na sede do Ministério, com a presença dos membros do júri. De acordo com comunicado divulgado pelo Ministério, "a obra de Cildo Meireles postula um compromisso político que o artista tem sabido harmonizar com as necessidades poéticas de toda criação. Ao longo de sua trajetória ele vem demonstrando uma capacidade constante de inventar e produzir formas novas". O prêmio de 90 mil euros (R$ 268 mil) foi criado pelo Ministério da Cultura espanhol em 2002 e premia o conjunto da obra de um artista plástico. Os premiados até agora foram Ramón Gaya (2002), Antoni Tàpies (2003), Pablo Palazuelo (2004), Juan Soriano (2005), Antonio López (2006) e Luis Gordillo (2007). Nascido no Rio de Janeiro em 1948, Cildo Meireles, ao lado de Guilherme Faz e Federico Morais, foi um dos fundadores da Unidade Experimental do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, em 1969. Pioneiro em instalações desde os anos 1960, seu trabalho revela uma intensa carga política. Desenhista e escultor, ele cria objetos e instalações sempre dentro de uma ótica conceitual, buscando as reações do espectador diante de elementos do cotidiano manipulados ou tirados de seus contextos. Cildo Meireles pertence à geração de artistas que revitalizaram o cenário artístico brasileiro da década de 1960, depois do impulso iniciado por Hélio Oiticica e Lygia Clark. Ele incorporou a sua linguagem artística mídias diferentes como o cinema, tendo participado de documentários ou até os protagonizado, como no caso de Cildo Meireles, de Wilson Coutinho, em 1979. Participou de muitas mostras internacionais de prestígio, como a Bienal de São Paulo, a Bienal de Johannesburgo e a Documenta de Kassel. O Ministério da Cultura espanhol, através do Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofia, vai organizar uma exposição da obra de Meireles, em data ainda não anunciada. O premiado pode eleger outro artista menor de 35 anos para receber a Bolsa Velázquez, de um ano de duração, de 30 mil euros. O júri do prêmio foi presidido por Ramón González de Amezúa, diretor da Real Academia de Belas Artes de San Fernando. A entrega foi feita pelo ministro da Cultura, César Antonio Molina.

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