Cientistas provam que Napoleão não foi envenenado

Cientistas italianos afirmaram tercomprovado que Napoleão não foi envenenado, descartando assim ateoria de que os carcereiros britânicos do imperador francêsassassinaram-no. O laudo médico da época diz que Napoleão morreu devido a umcâncer de estômago, aos 51 anos de idade. Mas a teoria sobre ohomicídio, supostamente cometido para evitar que regressasse aopoder, ganhou força nas últimas décadas, quando alguns estudosapontaram para uma alta concentração do veneno arsênico nocorpo dele. "A morte de Napoleão em Santa Helena não se deveu a umenvenenamento por arsênico", disseram pesquisadores daUniversidade de Pádua que testaram a teoria sobre os britânicoshaverem assassinado o imperador enquanto este era mantidoexilado na ilha do sul do Atlântico, em 1821. A pesquisa dos italianos --que analisaram amostras decabelo recolhidas em vários momentos da vida de Napoleão,material esse mantido em museus da Itália e da França-- mostrouque o corpo dele possuía uma concentração alta de arsênico, masque já estava sendo contaminado quando menino. Os cientistas utilizaram um reator nuclear para irradiar osfios de cabelo, medindo com precisão os níveis de arsênico. Analisando os fios de vários dos contemporâneos deNapoleão, entre os quais a mulher e o filho dele, ospesquisadores descobriram que os níveis de concentração dasubstância à época eram muito mais altos do que hoje em dia. "O resultado? Na nossa opinião, não houve envenenamentoporque os fios de cabelo de Napoleão contêm a mesma quantidadede arsênico encontrada em seus contemporâneos", disseram oscientistas em um comunicado divulgado no site da universidade. O estudo descobriu que as amostras de cabelo tiradas depessoas que viviam no começo do século 19 continham cem vezesmais arsênico do que a média atual. Colas e tinas usadas com frequência então seriam osresponsáveis pelo altos níveis de concentração do elementotóxico no ambiente. "O ambiente no qual as pessoas viviam, no começo do século19, provocava, certamente, a ingestão de quantidades dearsênico que hoje seriam consideradas perigosas", disseram ospesquisadores. Uma teoria aventava a hipótese de Napoleão ter sidoenvenenado acidentalmente por vapor de arsênico saído da tintausada no papel de parede em Santa Helena. Mas o estudo mostrounão ter havido um aumento relevante da concentração dasubstância nos últimos anos de vida dele. "Ficou claro que não se pode falar em um caso deenvenenamento, mas em um caso de constante absorção dearsênico", disseram os cientistas. Napoleão já havia sido exilado antes --na ilha italiana deElba após a tentativa fracassada de invadir a Rússia. Masregressou para a França e acabou sendo finalmente derrotado naBatalha de Waterloo, em 1815, depois do que foi enviado para ailha de Santa Helena, muito mais distante.

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