Cientistas descobrem região da leitura no cérebro

Um grupo de cientistas franceses conseguiuidentificar uma região do cérebro indispensável para a leitura edemonstrar a importância do inconsciente na percepção das palavras,informou hoje o principal autor de ambos os estudos. As experiências mostraram que uma região do lobo temporalesquerdo do cérebro é fundamental para a leitura, explicou à EFE opsiquiatra francês Raphael Gaillard, principal autor do estudorealizado por pesquisadores do Instituto Nacional da Saúde ePesquisa Médica (INSERM)."Sabíamos que a região era ativada durante o processo de leitura,mas não que era usada exclusivamente para isso e nem que eranecessária", disse Gaillard.Os autores do estudo puderam comprovar a relação analisando umepilético em estado grave, que precisou remover a região para seuTratamento. "Após a operação, os cientistas observaram que o paciente tinha muitos problemas para ler, mas reconhecia rostos ou objetos semproblemas", explicou Gaillard. O cientista acrescentou que foi oprimeiro caso em que se provou, antes da cirurgia, que a pessoa lianormalmente." O resultado mostra que esta região cerebral é indispensável para a leitura", segundo Gaillard, que acaba de publicar os resultados no jornal científico americano Neuron.Surpreende o fato de a leitura ter um espaço específico no cérebro"O surpreendente é que um traço cultural, como a leitura, muitorecente em termos de evolução e desnecessário para a sobrevivênciada espécie, tenha um espaço específico no cérebro", comentouGaillard. Em outro artigo, o psiquiatra diz que a região cerebralencarregada de reconhecer as palavras é ativada mais facilmentequando se fala de emoções. E o processo funciona mesmo quando apessoa está inconsciente. Para chegar a esta conclusão, foram exibidas várias palavras a 36 pessoas que estavam "quase no limite da consciência", explicou Gaillard. "A primeira conclusão é de que a região do cérebro em estudo foi ativada até nas pessoas que não se lembravam de ter ouvido as palavras", informou o psiquiatra. Além disso, as palavras com conotações emocionalmente negativas foram mais identificadas que as outras, que eram neutras. Mesmo quando eram sons semelhantes, como no caso de "douleur" ("dor") e "couleur" ("cor"). Segundo Gaillard, os resultados revelam que a experiência emocional negativa associada a alguns termos "amplifica a percepção das palavras, que chegam ao nível da consciência". Embora o fenômeno só tenha sido provado com termos negativos, "podemos acreditar que o resultado será semelhante com palavras com uma conotação emocional positiva", acrescentou Gaillard. O cientista destacou que os resultados do estudo, que serão publicados esta semana na revista científica "PNAS", confirmam parte da teoria da psicanálise, pela qual "os processos inconscientes são muito ricos". Mas, ao contrário do que defendia Freud, "revelam que os estímulos negativos chamam a atenção, em vez de serem rejeitados".

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