CIE nega envolvimento em lavagem de dinheiro

A empresa mexicana Corporacion Interamericana de Entretenimiento (CIE) divulgou nota hoje na qual alega ter em curso três processos judiciais contra seu ex-sócio Daniel Grinbank, que está denunciando a CIE na Justiça argentina por lavagem de dinheiro. ?Tais processos decorrem do descumprimento de obrigações contratuais, e do descumprimento da obrigação de transferir marcas já vendidas?, diz a nota. A empresa ?nega totalmente? sua participação em qualquer operação de lavagem de dinheiro. ?A transação referida (pelo Sr. Grinbank) é uma operação absolutamente legal, entre companhias, e a CIE conta com toda a documentação correspondente, a qual já está a disposição das autoridades competentes.?, afirma o documento. A CIE sugere que vai tomar medidas legais contra o ex-sócio Grinbank e que considera suas afirmações como ?calúnias?. A representação do grupo no Brasil não se dispôs a comentar o caso. A CIE é hoje a maior empresa do ramo atuando na América Latina. No Brasil, é proprietária do Credicard Hall, Directv Music Hall, Teatro Abril, Teatro Ópera e Teatro Jardel Filho (São Paulo) e ATL Hall (Rio de Janeiro), além de manter investimentos em diversos setores do ramo do entretenimento, como a Ticketmaster.Na Argentina, a empresa é dona do Teatro Opera, do zoológico municipal e de 7 emissoras de rádio. No México, é dona do Hipódromo e do Palacio de Los Deportes da Cidade do México. Nos Estados Unidos, detém 51% das ações da Hauser Entertainment.Em março deste ano, a CIE anunciou a compra no Brasil das casas que pertenciam à Stage (dona do Credicard Hall e do Directv Music Hall) e a contratação de seu antigo CEO, Fernando Altério, como seu novo presidente ? exatamente o mesmo percurso do grupo na Argentina, com Daniel Grinbank. Ele era dono da Rock & Pop Internacional Ltd, e era o maior empresário do show biz no País, realizando shows de grande porte, como o dos Rolling Stones.A denúncia de Grinbank, apresentada à Justiça argentina, balançou o mercado do show biz latino americano. Os documentos que Grinbank apresentou em juízo visam comprovar denúncia de que o grupo mexicano utilizou uma empresa-fantasma do Panamá para tornar lícito dinheiro de ?origem delituosa?.Grinbank era dono da Rock & Pop, a maior empresa do gênero na Argentina. Em 1996, associou-se com os mexicanos ? mesmo caminho que seguiu no Brasil o grupo Stage Empreendimento, que vendeu duas casas por cerca de US$ 45 milhões. Primeiro, ficou com 50% das ações, vendendo a metade da empresa. Depois, ficou com 30% e, finalmente, vendeu sua parte e permaneceu como presidente da empresa. Finalmente, desligou-se da companhia.À Justiça argentina, ele apresentou documentos que mostram que a CIE-Rock & Pop (nome do grupo no País) teria cobrado US$ 8,5 milhões de uma empresa chamada Nurina Corp., do Panamá, por ?serviços de desenho e elaboração de projetos estratégicos publicitários e de mercadotecnia de entretenimento? em quatro países sul-americanos. O curioso é que a empresa panamenha tinha um capital inicial de apenas U$ 1 mil. O pagamento foi feito por meio de um banco argentino, em setembro de 2000. Em 21 de março de 2001, a Nurina foi desativada. Segundo Grinbank, já que não houve nenhuma contrapartida comercial, a operação foi realizada simplesmente para lavar dinheiro proveniente de ?ilicitudes tributárias?.O código penal argentino prevê pena de dois a 10 anos e multa de duas a 10 vezes o montante das operações que visem converter, administrar, transferir, vender ou aplicar dinheiro proveniente de delitos caracterizados como lavagem de dinheiro.Grinbank foi à luta contra o grupo mexicano assessorado por uma junta de advogados, e afirmou ao jornal Pagina 12 que seu desligamento da empresa se deu por ?um longo processo de desgastes e desencontros, a maioria deles relacionados com a ética nos negócios?.

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