Cidade Tiradentes produz moda e lança grife

Cidade Tiradentes não é mais apenas nome de um conjunto habitacional na periferia da zona leste. Agora, é sinônimo de moda. Domingo será lançada a grife Cidade Tiradentes. Além de oferecer roupas com preços 50% mais baixos que os de mercado, todos os produtos estão sendo feitos com mão-de-obra da comunidade. Mas o objetivo de pôr o bairro nas passarelas vai além de gerar emprego. Acredita-se que até a auto-estima da população - calculada em 400 mil pessoas - vá aumentar. A grife Cidade Tiradentes, cujo símbolo é um conjunto de prédios, terá roupas para crianças, jovens, homens e mulheres. Terá também uma linha praia, já que o conjunto tem piscinas. E, no próximo ano, a marca terá moda específica para os evangélicos. O sonho da grife começou há três anos, com o presidente da Associação dos Mutuários e Moradores do Conjunto Santa Etelvina (Acetel), Silvio Amorin. "Cidade Tiradentes tem potencial reprimido de compra, porque não existem locais para comprar. Tudo tem de ser adquirido nos bairros vizinhos, a cerca de 8 quilômetros de distância", explica Silvio, que desenvolve programas de melhoria de qualidade de vida e geração de renda na comunidade. Segundo ele, a população local tem poder de compra, já que a renda média familiar é de R$ 1 mil. "Nossas roupas serão de boa qualidade e vão ter um preço acessível porque não haverá intermediários nem custos de transporte." Amorin acredita que uma calça jeans poderá custar entre R$ 12,00 e R$ 20,00. O diretor da Acetel Clemente Santos afirma que as roupas mais sofisticadas, como os vestidos e blusas para a noite, não passarão de R$ 30,00. "Acima desse preço, as peças serão inacessíveis." Todas as roupas que prometem virar a cabeça dos moradores de Cidade Tiradentes estão sendo criadas por Verônica Rodrigues, de 19 anos, estudante de estilismo. A jovem tem uma característica que considera fundamental em seu trabalho: conhece o gosto da comunidade e o estilo de vida local, porque morou no conjunto durante 17 anos.

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