Nilton Fukuda/ Estadão
Nilton Fukuda/ Estadão

Cidade mutante

Paulo Mendes da Rocha abre na sexta o evento 'Ideas City: São Paulo', que discute o futuro da metrópole

Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S.Paulo

24 de outubro de 2013 | 02h20

Único museu de Nova York dedicado exclusivamente à arte contemporânea, o New Museum criou há dois anos um festival bienal que inclui conferências, workshops e fóruns para troca de ideias sobre o futuro das metrópoles. Firmando parceria com o Sesc, os organizadores do festival Ideas City trazem a São Paulo, após passar por Istambul, especialistas em arquitetura e urbanismo que, a partir de amanhã, no Sesc Pompeia, vão propor soluções para o caos anunciado com a perspectiva de ocupação massiva da urbe (até 2050, mais da metade da população mundial vai morar nas grandes cidades). Quem abre o encontro internacional é o arquiteto brasileiro Paulo Mendes da Rocha, premiado como o Pritzker e homenageado pelo autor italiano Daniele Pisani no recém-lançado livro com sua obra completa, publicado pela editora GGBrasil.

O diretor regional do Sesc em São Paulo, Danilo Santos de Miranda, diz que foi uma "feliz coincidência" a convergência de datas do Ideas City com a 10.ª Bienal de Arquitetura, cujo foco é justamente o papel da comunidade cultural na preservação da metrópole. Quando seus recursos estão sendo destruídos, o Ideas City, dizem seus criadores, "não quer focar no déficit, mas encorajar práticas inovadoras".

Os idealizadores do fórum Ideas City acreditam que “as artes e a cultura são essenciais para a vitalidade do centro urbano, tornando-o melhor para viver, trabalhar e criar”. Essa crença está traduzida na lista de participantes da segunda conferência global promovida pelo New Museum (a primeira foi em Istambul em 2011), a começar pelo arquiteto Paulo Mendes da Rocha, palestrante da abertura, amanhã, no Sesc Pompeia. Se o Ideas City, como diz sua mentora Lisa Phillips, que dirige o New Museum, é um “sismógrafo para detectar sentimentos, movimentos e tendências”, ela tem em Mendes da Rocha o exemplo de um arquiteto que pensa a cidade não como palco de seus projetos, mas como memória dos vestígios que a história deixa – e que precisam ser considerados, tanto quanto o impacto que novos projetos exercem sobre a metrópole.

Ao lado do premiado arquiteto brasileiro estarão outros profissionais da área que, em seus países, repensam as políticas urbanas voltando-se para soluções criativas não necessariamente vinculadas à arquitetura institucionalizada, caso de Teddy Cruz, professor da Universidade da Califórnia. Cruz não vê a cidade como um playground de privilegiados e projetos icônicos, mas um espaço democrático que abrigue os marginalizados, acreditando em sua inteligência crativa. “As favelas de Tijuana podem ensinar boa arquitetura a San Diego”, resume o arquiteto.

O diretor regional do Sesc, Danilo Santos de Miranda, divide com ele a opinião de que a cidade precisa ser repensada a partir dos cidadãos, e criou um programa chamado Sampa Criativa. “Vamos recolher opiniões sobre o Plano Diretor, por exemplo, para saber como a população se posiciona a respeito do zoneamento e dos recursos da cidade.” A crença na arquitetura como aliada do processo educativo fez o Sesc investir em prédios degradados como a fábrica da Pompeia, em 1982, e, brevemente, numa velha indústria na periferia de Campo Limpo.

O livro dedicado pelo italiano Daniele Pisani trata especialmente da capacidade de Paulo Mendes da Rocha de dar nova cara e uso a prédios antigos como os da Pinacoteca do Estado e o Museu Nacional de Belas Artes. Sua ligação com a cultura, aliás, fez com que ele aceitasse o desafio de projetar o Cais das Artes em Vitória, sua cidade natal. De fora, outro arquiteto participante do Ideas City, Charles Renfro, que projetou o novo Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro (leia ao lado), prova como a cultura, hoje, é a mola mestra da transformação arquitetônica das grandes cidades.

O Ideas City tem vários nomes estelares entre os convidados, destacando-se a americana Eva Franch i Gilabert, que será a curadora do pavilhão americano na Bienal de Arquitetura de Veneza em 2014, o músico Arto Lindsay e a artista visual Jac Leirner.

IDEAS CITY: SÃO PAULO

Sesc Pompeia. R. Clélia, 93.

tel. 3871-7700. De 6ª a domingo,

a partir das 9h. Grátis (entrada sujeita à lotação do teatro)

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