Mike Segar/ Reutes
Coronavírus: 7ª Avenida praticamente vazia na Times Square Mike Segar/ Reutes

Cidade grande, grandes preocupações: nova-iorquinos se afligem com cidade parando

Nova-iorquinos estão descobrindo que o coronavírus deixou a cidade do agito sem Broadway, sem basquete e sem grandes eventos

Michael Hill, Jennifer Peltz e Jim Mustian, Associated Press

13 de março de 2020 | 12h57

NOVA YORK - Quando acordaram nesta sexta-feira, 13, os nova-iorquinos descobriram que o coronavírus havia deixado a cidade, tão famosa pelo agito, sem Broadway, sem jogos de basquete, sem grandes eventos e com a população nervosa diante de uma crise cada vez maior.

A estonteante série de fechamentos temporários anunciada na quinta-feira incluiu algumas das joias culturais da cidade: a Metropolitan Opera, o Metropolitan Museum of Art, o Museu de História Natural e o Carnegie Hall.

Mas não foi apenas a alta cultura. O desfile do dia de São Patrício não sairá na próxima semana. Shows foram cancelados. Jogos da NBA foram adiados. A CBS News, que fechou temporariamente sua sede na quarta-feira, depois que dois funcionários testaram positivo, continuou sua transmissão na noite de quinta-feira - de Los Angeles.

Restaurantes, vagões de metrô e calçadas estavam mais vazios. Sem um floco de neve, a cidade começou a ganhar aquela aparência esbelta das nevascas de inverno, com as pessoas trabalhando de casa e evitando locais públicos.

Faculdades em toda a cidade foram fechadas ou os alunos assistiram às aulas online. “As pessoas estão com medo de sair”, disse Justin Rahim, guia turístico do Central Park, que disse que vários motoristas de rickshaw - que dependem dos turistas para viver - pararam na quinta-feira e começaram a trabalhar no serviço de entrega de comida da Uber. “É uma loucura. Como vou sobreviver a isso?”.

Na quinta-feira à tarde, o vírus havia sido confirmado em mais de 320 pessoas no estado de Nova York, com 95 na cidade, e causara uma morte na área metropolitana.

Mas, depois de semanas assegurando aos moradores que o medo do vírus estava maior que o perigo de verdade, o governador e o prefeito de Nova York mudaram abruptamente de discurso. O governador Andrew Cuomo anunciou quinta-feira que, na tentativa de impedir a propagação do vírus, reuniões com mais de 500 pessoas seriam temporariamente proibidas no estado a partir das 17h de sexta-feira. Os shows noturnos da Broadway tinham sido cancelados um dia antes.

Muitos eventos em espaços menores terão que reduzir sua capacidade pela metade. As restrições, impostas por uma ordem de emergência, não se aplicam a escolas, hospitais, asilos, shoppings e transportes públicos, e houve exceções para outros tipos de negócio, como os cassinos.

As pessoas ainda estão livres para trabalhar. O prefeito Bill de Blasio, ao apontar que o surto pode durar seis meses ou mais, aconselhou que os nova-iorquinos não desistissem. “A cidade tem que continuar”, disse de Blasio na Fox 5 News, na sexta-feira de manhã.

“Precisamos que as pessoas garantam seus meios de subsistência. Precisamos que as pessoas apareçam no trabalho. Precisamos que nossos funcionários públicos estejam onde são necessários para cuidar das pessoas - escolas, hospitais, primeiros-socorros”.

Mas ficou claro que a desaceleração será dolorosa para uma cidade que depende dos motores econômicos do turismo, do entretenimento e de Wall Street. Restaurantes e casas noturnas de toda a cidade estão relatando desistências de 20% a 80%, principalmente na área turística da Times Square, disse Andrew Rigie, diretor executivo da Aliança de Serviços da Cidade de Nova York.

David Turk, dono de uma empresa de eventos em Manhattan, disse que os efeitos colaterais começaram há uma semana. Primeiro, um grande evento foi cancelado. Poucos dias depois, todas as reservas até maio foram canceladas ou adiadas.

Turk se lembra dos dias sombrios após o 11 de Setembro, mas “aquilo teve um começo e um fim. Isso aqui não tem um fim previsível”, disse ele. “É a incerteza que realmente está gerando medo em muitos de nós que temos pequenas empresas”.

Durante toda a quinta-feira, o sentimento de inquietação dos nova-iorquinos foi agravado por rumores falsos, espalhados nas redes sociais, de que estaria por vir um isolamento ainda maior, com quarentenas em massa, proibições a veículos particulares e cancelamento do serviço de trens.

“Não é verdade”, disse Cuomo na rádio 1010 WINS, no início da noite. “Estão circulando vários rumores malucos. A ansiedade está alta, eu entendo. As pessoas estão nervosas com o coronavírus. Mas, não, o metrô não vai fechar. As ruas não vão fechar. A cidade de Nova York não vai fechar”.

As filas dos supermercados davam a volta nos quarteirões na quinta-feira, enquanto os nova-iorquinos se preparavam para esperar o vírus. Os compradores que procuravam papel higiênico e outros produtos básicos encontraram prateleiras vazias. Pais de toda a cidade se perguntavam se a rede de escolas públicas da cidade de Nova York, com seus 1,2 milhão de alunos, poderia ser desativada, como aconteceu na vizinha New Rochelle, subúrbio que foi epicentro do surto nos Estados Unidos.

De Blasio disse que espera evitar o fechamento das escolas e do transporte coletivo. Ele disse que os profissionais de saúde e os socorristas da linha de frente da crise enfrentariam obstáculos para trabalhar sem o sistema de transporte público e com os filhos sem escola.

Na maioria das pessoas, o novo coronavírus causa apenas sintomas leves ou moderados, como febre e tosse. Em alguns, especialmente nos idosos e nas pessoas com problemas de saúde preexistentes, o vírus pode causar doenças mais graves, como pneumonia. A grande maioria das pessoas se recupera da doença.

Ainda assim, o número total de pessoas doentes na cidade é desconhecido, devido à relativa escassez de exames. E, para algumas delas, o perigo é real.

Na terça-feira, John Brennan, morador de Nova Jersey e treinador de cavalos na Yonkers Raceway, ao norte da cidade, morreu por causa do vírus. Dois dias depois, um colega próximo, o presidente da Associação de Proprietários da Standardbred, Joseph Faraldo, disse que estava em quarentena em sua casa em Nova York, à espera dos resultados de seus exames.

“Ele poderia ter infectado todo o paddock, porque tinha contato com todo mundo”, disse Faraldo, que se sentiu mal há uma semana. Ele disse que fez exame na quarta-feira, em uma instalação médica no Queens, e espera obter os resultados até sexta-feira.

“Acho que tive muita sorte”, disse ele. “Não fiquei lá mais que quarenta minutos. Eles fizeram uma série de perguntas e eu respondi que tive contato com uma pessoa que havia morrido por causa do vírus. Eles foram muito legais”.

Os fechamentos institucionais ocorrem em meio a sinais de que os nova-iorquinos estão agindo por conta própria para evitar multidões. O número de passageiros no metrô e nas linhas de trem caiu, disseram autoridades do estado.

No Memorial e Museu Nacional de 11 de setembro, oficiais de segurança relataram públicos mais esparsos enquanto se preparavam para fechar o museu na sexta-feira.

O coronavírus dominava as conversas, mesmo nos parques da cidade, onde os corredores tentavam manter alguma aparência de normalidade.

Danielle Xuereb, 38 anos, de Manhattan, estava se preparando para correr uma meia-maratona, mas soube que a corrida foi cancelada. “Estou trabalhando em casa e provavelmente vou continuar por mais uma semana ou duas”, disse ela. “Talvez não vá às minhas aulas de ioga. Acho que minha principal preocupação é quanto tempo isso vai durar”. / TRADUÇÃO DE RENATO PRELORENTZOU

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Coronavírus na cultura: veja shows, filmes e festivais adiados ou cancelados

Lollapalooza Argentina e Chile já foram adiados, bem como a estreia de 'Velozes e Furiosos 9' e 'Um Lugar Silencioso - Parte II'

Redação, O Estado de S. Paulo

12 de março de 2020 | 19h28

O surto do novo coronavírus tem causado um terremoto na indústria do entretenimento ao redor do mundo, e no Brasil não é diferente: shows foram adiados ou cancelados, filmes tiveram suas datas de estreia alteradas e museus também mudaram sua programação.

Veja abaixo uma lista dos eventos alterados e locais com programação suspensa por conta da epidemia de Covid-19:

Festivais

No Brasil

  • Festival de Curitiba

A produção do Festival de Curitiba informou, nesta quinta, 12, que vai adiar a programação de sua mostra para evitar a disseminação do Covid-19, o novo coronavírus. A 29ª edição seria realizada de 24 de março a 5 de abril. O evento será reagendado entre os dias 1º e 13 de setembro de 2020. 

  • Festival Música em Trancoso

O Mozarteum Brasileiro informa que decidiu cancelar a realização de todas as atividades da 9ª edição do Festival Música em Trancoso, em função da pandemia do Covid 19

  • SP-Arte

A 16.ª edição da SP-Arte, a maior feira de arte do Brasil, será suspensa por conta do surto do novo coronavírus.

No exterior

  • Lollapalooza Argentina e Chile

Devido à pandemia de coronavírus e seguindo o que foi decidido pela Argentina nesta quinta, 12, o Chile também decidiu adiar sua edição 2020 do festival Lollapalooza, que seria realiado dias 25, 27 e 29 de março, em Santiago. Organização informa que está procurando nova data para a realização do festival, no segundo semestre. 

  • Coachella (Califórnia, EUA)

O Coachella Valley Music and Arts Festival anunciou nesta terça-feira, 10, que o evento foi adiado para outubro de 2020 por conta do surto do novo coronavírus.

  • SXSW (Texas, EUA)

O festival de música, cinema e tecnologia South by Southwest (SXSW), realizado tradicionalmente na cidade de Austin, Texas, nos Estados Unidos, teve sua edição de 2020 cancelada por conta do coronavírus.

  • Bienal de Arquitetura de Veneza

A Bienal de Arquitetura de Veneza, considerado o maior evento mundial do setor e que estava prevista para maio, será adiada para agosto.

Shows

No Brasil

  • Maria Bethânia

A cantora Maria Bethânia decidiu cancelar o show que faria em São Paulo neste sábado, 14.

  • Backstreet Boys

Show da boy band Backstreet Boys, que aconteceria no Allianz Parque, no domingo, 15, foi adiado

  • Elza Soares

A cantora Elza Soares cancelou a apresentação que faria na Casa Natura Musical, em São Paulo, neste sábado, 14.

  • Mos Def

Em meio a diversos cancelamentos ou adiamentos de shows e festivais, o rapper americano yasiin bey (conhecido anteriormente como Mos Def) cancelou sua participação no Nublu Festival, em São Paulo, na sexta-feira, 13.

  • Lindsey Stirling

A americana Lindsey Stirling comunicou o cancelamento de seu show em São Paulo, no UnimedHall, que aconteceria no dia 19 de março.

  • The Offspring e Pennywise

As bandas, que fariam show na Audio, em São Paulo, no dia 22 de março, anunciaram o adiamento das apresentações por tempo indeterminado.

No exterior

  • Guns N' Roses

A banda americana Guns N' Roses cancelou o show que faria na Costa Rica na próxima quarta-feira, 18, por causa do coronavírus. Segundo a banda, a decisão foi tomada por orientação das autoridades locais.

  • The Who no Reino Unido

A banda britânica de rock The Who cancelou uma turnê que faria pelo Reino Unido devido à pandemia de coronavírus, apenas quatro dias antes de subir ao palco em Manchester.

  • Pearl Jam nos EUA

O Pearl Jam publicou em suas redes sociais uma nota dizendo que vai adiar a primeira perna da turnê de lançamento do novo disco Gigaton. O comunicado cita os problemas com o coronavírus vividos em Seattle e a preocupação com os fãs para justificar a decisão.

  • BTS na Coreia do Sul

O BTS cancelou quatro shows que faria em abril em um estádio de Seul, capital de seu país de origem, por causa do avanço do coronavírus.

Filmes e cinema

  • Velozes e Furiosos 9

A Universal empurrou em quase um ano o lançamento de Velozes e Furiosos 9: de maio de 2020 para abril de 2021.

  • Um Lugar Silencioso – Parte II

A Paramount Pictures mudou a data de estreia do filme de John Krasinski no mundo todo.

  • A Menina que Matou os Pais e O Menino que Matou Meus Pais

A Galeria Distribuidora e a Santa Rita Filmes decidiram suspender a estreia dos filmes sobre o caso de Suzane von Richtofen. 

  • 007 - Sem Tempo Para Morrer

A estreia do próximo filme da saga de James Bond, 007 - Sem Tempo para Morrer foi adiada de abril para novembro.

  • Trolls 2 

Em respeito aos fãs, a Universal Pictures anuncia que Trolls 2 (Trolls World Tour) não será mais lançado em 9 de abril. Uma nova data de lançamento será anunciada em breve pelo estúdio.

  • Três Verões

A Vitrine filmes anunciou o adiamento do lançamento do filme de Sandra Kogut, estrelado por Regina Casé.

Teatro

  • Broadway, Nova York (EUA)

A Broadway League, em Nova York, anunciou nesta quinta-feira, 12, a suspensão imediata de todas as aprensetações no que se considera a Meca do teatro mundial, como medida de contenção do novo coronavírus. As apresentações serão retomadas, a princípio, no dia 13 de abril de 2020.

  • Teatro Unimed (Brasil)

Estão suspensas, temporariamente, as sessões do espetáculo São Paulo. A devolução do valor pago pelos ingressos será realizada pelos canais de compra utilizados e, assim que possível, será comunicada nova data de estreia.

  • Cultura Artística

Todas as atividades, incluindo as apresentações da Temporada de Concertos e da Série de Violão, foram suspensas pelo teatro Cultura Artística.

Eventos literários

  • Feira Literária de Bolonha

Depois de ser adiada pela organização, a feira de literatura infantil e juvenil de Bolonha – a principal do mundo – acaba de ser cancelada, por causa do avanço do coronavírus na Itália. 

  • Primavera Literária Brasileira

A Primavera Literária Brasileira, que promove encontros entre escritores brasileiros e alunos de português de escolas e universidades estrangeiras, acaba de cancelar a edição que seria realizada nos Estados Unidos em abril e a que seria promovida em junho na Alemanha, por causa do coronavírus. 

  • Feira do Livro de Londres

Os organizadores da Feira do Livro de Londres anunciaram que o evento programado para os dias 10, 11 e 12 de março foi cancelado para evitar a disseminação do coronavírus.

  • Salão do Livro de Paris

O Salão do Livro de Paris, principal feira do gênero na França e realizado anualmente na capital do país, foi cancelado devido às medidas adotadas pelo governo francês

Museus

  • Masp

O Masp decidiu manter suas portas abertas, mas anunciou, neste sábado, 14, uma série de restrições em suas atividades, incluindo palestras, oficinas e cursos, além de reduzir o número de visitantes admitidos. 

  • CCBB

O CCBB, que atualmente recebe a grande exposição Egito Antigo: do cotidiano à eternidade, com obras vindas do Museu Egípcio de Turim, decidiu suspender todas as suas atividades.

  • Centro Cultural Fiesp

O Centro Cultural Fiesp informa que suspenderá todas as suas atividades por tempo indeterminado a partir desta sexta-feira, 13 de março, como uma medida de precaução, tendo em vista o aumento de casos do Coronavírus no país.

  • Instituto de Arte Contemporânea (IAC)

O IAC comunicou o adiamento da abertura de sua nova sede em São Paulo, que seria realizada no dia 14 de março. A nova data ainda não foi anunciada.

  • FAMA Museu

A abertura da exposição Tarsila: estudos e anotações, marcada para este sábado, 14, no FAMA Museu, em Itu, no interior paulista, foi adiada em função do coronavírus. A nova data para abertura da mostra será decidida nos próximos dias, com base nas orientações das autoridades de saúde. 

  • Exposição de Federico Fellini

O evento de inauguração da exposição “O Centenário Fellini no mundo”, que ocorreria no dia 19 de março, foi desmarcado. Entretanto, a exposição está mantida e sua visitação vai de 20 de março a 01 de maio no espaço expositivo do Banco do Brasil, na Avenida Paulista. Com fotos, desenhos, documentos e figurinos originais de seus filmes, a exposição, que tem os italianos Alessandro Nicosia e Vincenzo Mollica como os principais curadores, contará a história de Fellini oferecendo um panorama de toda a sua produção artística. 

  • Exposição sobre resistência ao nazismo

A abertura da exposição “Até o Último Suspiro” prevista para este domingo, dia 15, no Memorial da Imigração Judaica e do Holocausto, foi suspensa.

  • IMS - Instituto Moreira Sales

O IMS receberia a chilena Paz Errázuriz para a abertura da exposição dedicada à obra dela, mas a fotógrafa cancelou a viagem ao Brasil. A mostra será aberta ao público na terça, 17, conforme previsto, porém, sem evento de abertura. As atividades regulares nas três setes do IMS estão mantidas. O Festival serrote, no IMS Paulista, está mantido, com apenas uma alteração: a mesa Contra a intolerância religiosa, com Henrique Vieira e Luiz Antonio Simas, prevista para sábado (14), às 15h, foi cancelada. O restante da programação permanece confirmada. O evento será transmitido ao vivo pelo Facebook.

  • WME Conference 2020

O WME, em respeito ao público, à saúde das artistas e demais profissionais, decidiu adiar a WME Conference 2020, que aconteceria nos dias 27, 28 e 29 de março, no CCSP, em São Paulo. Novas datas devem ser divulgadas posteriormente. Ao público que já havia comprado ingressos através da plataforma Sympla, os bilhetes continuam valendo para depois.

  • Seminário no Sesc Pinheiros

O Sesc Pinheiros suspendeu o Seminário Internacional Arte, Palavra e Leitura - Por uma Educação Transformadora e todas as atividades relacionadas ao evento, que estava previsto para os dias 17 a 19 de março. Uma delas seria o lançamento da série Paulo Freire, Um Homem do Mundo. 

  • Lançamento de livro

o Instituto Vladimir Herzog tomou a decisão de adiar o lançamento do livro "Heroínas desta História" que estava marcado para a próxima terça, 17, na Unibes Cultural.

  • Premiações Culturais

A organização da 7ª Edição dos Prêmios Platino XCaret anuncia a suspensão da cerimônia, porém, o processo de votação online continuará normalmente. A data da divulgação dos ganhadores será determinada oportunamente. 

 

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Festival de Curitiba anuncia suspensão do evento por conta da pandemia de coronavírus

Organização informou que vai transferir a 29ª edição da mostra, que ocorreria entre 24 de março e 4 de abril

Leandro Nunes, O Estado de S.Paulo

12 de março de 2020 | 14h33

A produção do Festival de Curitiba informou, nesta quinta, 12, que vai adiar a programação de sua mostra para evitar a disseminação do Covid-19, o novo coronavírus. A 29ª edição seria realizada de 24 de março a 5 de abril.

O evento será reagendado entre os dias 1º e 13 de setembro de 2020. 

Em nota, o comunicado justifica que "a decisão se deve à segurança e ao cuidado com a saúde do público, dos artistas e de toda a equipe de trabalho."

Os ingressos já adquiridos continuam válidos para a programação nas datas informadas.

COMUNICADO

A produção do Festival de Curitiba informa a decisão do adiamento de toda a sua programação devido à pandemia do Covid 19, o coronavírus.

A decisão se deve à segurança e ao cuidado com a saúde do público, dos artistas e de toda a equipe de trabalho.

O evento está adiado para setembro de 2020, entre os dias 1° e 13.

Os ingressos já adquiridos continuam válidos para a programação nas datas informadas.

Mais informações em breve.

 

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Países devem acelerar combate ao coronavírus para evitar erros da Itália, diz brasileiro na OMS

Segundo vice-diretor da Opas, país europeu demorou a perceber a circulação comunitária da doença; Jarbas Barbosa ainda diz que medidas como suspensão de aulas devem ser muito bem pensadas

Entrevista com

Jarbas Barbosa, vice-diretor da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas)

Mateus Vargas, O Estado de S.Paulo

13 de março de 2020 | 05h00

BRASÍLIA - Os países devem estar atentos para mudar a estratégia de combate ao novo coronavírus, quando confirmada a transmissão comunitária. A medida evitaria erros vistos na Itália, que demorou para perceber a circulação da doença, o que sobrecarregou o sistema de saúde, afirma o médico brasileiro Jarbas Barbosa, vice-diretor da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), braço da Organização Mundial da Saúde (OMS).

“É preciso manter a estratégia de hoje, mas acelerar a de amanhã. Para não ocorrer como na Itália. Lá, infelizmente, não perceberam que havia transmissão. Só começaram a notar quando estavam chegando casos graves e mortes”, disse Barbosa. Para ele, a primeira etapa de enfrentamento à doença deve ser de contenção, preparando a rede de assistência para receber pacientes e isolando pessoas que tiveram contatos com casos confirmados, por exemplo.

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Em fase seguinte, quando há confirmação de transmissão do vírus, o trabalho é para “salvar vidas”, com foco em grupos de risco: idosos e doentes crônicos. Nesta etapa, são avaliadas medidas de distanciamento social, por exemplo. Uma decisão pode ser deixar jovens em casa, para evitar que se contaminem e usem leitos de hospitais – essenciais para tratamento de pacientes de risco.

Barbosa afirma ainda que não há “bala de prata” para resolver o surto da doença, mas um “conjunto de ações” que dão respostas. Medidas como cancelar aulas, ele afirma, têm de ser muito bem pensadas. “Quando não há transmissão comunitária disseminada, você está prevenindo o quê (ao determinar afastamento social)?”. “Mas também não pode demorar, senão a transmissão sobrecarrega o serviço de saúde.”

Ex-secretário do Ministério da Saúde e ex-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Barbosa elogia a "liderança" do ministro Luiz Henrique Mandetta. “O Brasil tem uma boa preparação sobre isso. Já lidou com outras epidemias. Está num bom caminho”, disse. Abaixo, trechos da entrevista:

O que muda com a doença classificada como pandemia? 

É o reconhecimento que a dispersão geográfica está consolidada. Não significa que haverá mais casos graves ou mais mortes. Na América Latina e no Caribe, ainda vamos ter um mosaico de situações. O que estamos chamando a atenção, reforçando, apoiando tecnicamente para isso, é a preparação para possível transmissão comunitária disseminada. Tem de ser acelerada. Estamos falando de organizar serviços de saúde, identificar bem quem são as referências. Onde vai ter leito de isolamento, como faz para dispor mais leitos de UTI, se precisar, num determinado pico.

O sr. poderia dar exemplos de medidas para preparar os sistemas de saúde?

Primeiro é ter claro quem vai fazer o quê. Definir estratégias. Quando você tem transmissão comunitária, não faz sentido pessoas com quadro leve irem para serviços de saúde. Tem país que diz ‘olha, fica em casa’. Tem de adaptar à realidade nacional. São medidas para não sobrecarregar o sistema de saúde para que grupos de maior vulnerabilidade sejam atendidos. Também envolve medidas que a gente chama de aumento rápido de capacidade. Por exemplo, adiar procedimento cirúrgico que não é de emergência. Você tem de redistribuir leitos de maneira que possa ter hierarquia de cuidado.

Alguns países têm tomado medidas mais restritivas. Já é o momento correto para estas decisões?

Cada país tem de fazer uma avaliação bem criteriosa. Não é só aumento do número de casos que importa. É o tipo de transmissão. Uma decisão dessa não pode ser tomada muito precocemente: quando não há transmissão comunitária disseminada você está prevenindo o quê? Nem pode demorar, senão a transmissão muito forte pode sobrecarregar os serviços de saúde. É importante tomar a decisão no momento que faça efeito. Para também não estressar as pessoas. Você para uma semana, e não passa nada, continua aparecendo caso, porque não há transmissão comunitária. Aí as pessoas dizem, ‘bom, mas não funcionou’. Daqui a três semanas você novamente convoca para parar uma semana. Isso gera certo descrédito.

No Brasil é recomendável tomar já medidas restritivas?

Não posso fazer esta análise. Ela é da autoridade sanitária, que tem a riqueza de dados em mãos. O Brasil tem atuado com total transparência. Nós fazemos uma recomendação geral para cada país adaptar a sua realidade. 

Há discussão sobre cancelamento de escolas. Qual a leitura da Opas/OMS?

Este debate era grande já na época do H1N1. Quando tem nitidamente casos em escolas, se as unidades estão sendo elemento de transmissão, pode fazer sentido. Sabemos que alguns países da região tomaram medidas de cancelar voos. Tem de avaliar bem se é efetivo, se o impacto econômico não é maior do que seria desejado. Tem de ter um balanço, lembrar que a maioria dos casos são leves. 

Alguns países estão isolando pessoas que estiveram em locais com transmissão comunitária. A medida pode ser efetiva?

Essas medidas de contenção, por mais rigorosas que sejam, dependendo do grau de transmissão que países vizinhos apresentarem, não serão efetivas para impedir que ocorra transmissão. Elas podem retardar. É bom quando retarda, você ganha mais tempo para preparar o seu serviço de saúde. Mas não tem evidência que haja medida de contenção que, até aqui, tenha sido capaz de impedir que haja transmissão num país. Não estamos falando de uma bala de prata que resolve tudo, estamos falando de um conjunto de medidas que, atuando coordenadamente, ajudam na resposta. É preciso manter a estratégia de hoje, mas acelerar a de amanhã. Para não ocorrer como na Itália. Lá, infelizmente, não perceberam que havia transmissão. Só começaram a notar quando estavam chegando casos graves e mortes. Os s serviços na Itália, em grande parte, ficaram sobrecarregados.

Quais erros já foram notados neste surto de coronavírus e podem ser evitados?

Principalmente ter estratégia de contenção, mas preparar para a fase de mitigação. Quem não faz ao mesmo tempo vai perder tempo. São dias preciosos para evitar sobrecarga do serviço. O erro é o sistema de vigilância não dar informação, e você demorar a perceber que tem de mudar de estratégia... Continuar com contenção, quando já há transmissão na comunidade. Foi o que aconteceu na Itália.

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Lollapalooza Brasil sonda artistas para agendar novas datas em novembro

Depois de suspender edições no Chile e na Argentina, festival que seria realizado em abril estuda transferir datas por causa do novo coronavírus; casas de shows e artistas cancelam espetáculos

Guilherme Sobota, Julio Maria e Renato Vieira, O Estado de S.Paulo

12 de março de 2020 | 20h04

O festival Lollapalooza, previsto para ser realizado em São Paulo nos dias 3, 4 e 5 de abril, pode ser adiado pela organização por causa da pandemia do novo coronavírus. A decisão deve seguir a determinação nas praças vizinhas Argentina e Chile, que anunciaram a transferência dos shows para o segundo semestre. A produção no Brasil não se pronunciou sobre as possíveis mudanças até o fechamento desta edição, mas o Estado apurou que artistas começaram a ser sondados para transferirem seus shows para novembro. 

No Chile e na Argentina, os shows seriam entre 27 e 29 de maio. “Estamos trabalhando para a reprogramação da edição 2020 do festival para a segunda metade do ano”, disse o comunicado a respeito dos festivais nos países vizinhos. “Diante desse fato sem precedente, nossa prioridade é preservar a saúde e segurança do público, artistas e equipe de trabalho, e acatar as medidas preventivas das autoridades públicas. Em breve, compartilharemos as datas através de nossa página oficial e nossas redes.”

Por enquanto, não existe no Brasil nenhuma orientação oficial do Ministério da Saúde para eventos com grande concentração de pessoas. O médico infectologista do Hospital Israelita Albert Einstein, Luis Fernando Aranha Camargo, contesta o efeito real de uma eventual proibição e ressalta que ir ou não é uma decisão individual. “Se pensar racionalmente, é óbvio: quanto menos gente ao redor, menos concentração, menos risco de transmissão”, aponta. “Mas se o festival ocorrer, é impossível controlar”, diz Camargo. “A pessoa pode usar uma máscara, mas aí não vai cantar?” Em situações assim, aponta, minimizar o risco de contágio é praticamente impossível.

Algumas empresas do setor já tomam decisões radicais. A revista norte-americana Billboard apurou que a Live Nation, a maior promotora de shows do mundo, já trabalha para adiar ou suspender todas as suas turnês até o fim de março, dentro e fora dos EUA. Contatada via assessoria de imprensa, a Live Nation Brasil não quis comentar.

Segundo a revista, a empresa disse aos funcionários nesta quinta que vai adiar shows e turnês de arena até o fim do mês, com algumas exceções ainda não confirmadas. Billie Eilish, Jason Aldean, Zac Brown Band, Cher, Kiss, Post Malone e Tool são alguns dos artistas com turnês que podem ser afetados nos EUA. No Brasil, um show que poderia ser afetado pela medida é do cantor de K-pop Eric Nam, marcado para o dia 25 de março, no Cine Joia, em São Paulo. Não há, porém, anúncio oficial. O show do Backstreet Boys, também trazido pela Live Nation, está confirmado para ocorrer no Allianz Parque, no próximo domingo, 15.

As casas de shows começam a ter trabalho com suas programações. O guitarrista Sammy Hagar, que faria um show no Espaço das Américas no próximo dia 22 com o projeto The Circle, foi, segundo um comunicado da casa, “irredutível” quanto ao cancelamento de seu show. O site está instruindo os fãs para a devolução de ingressos.

O Tom Brasil, por meio de seu sócio-diretor Christian Tedesco, não informou quais shows podem ser cancelados, mas disse que esta é uma grande preocupação no momento, “pois o setor de entretenimento, que emprega mais do que a indústria automobilística, não conta com nenhuma ação protetiva em situações assim”.

Outros festivais se preparam para agir. Ainda sem anunciar sua programação ou vender ingressos, o Rio Montreux Jazz Festival, festival de jazz sob a bandeira poderosa do festival suíço Montreux Jazz Festival, está previsto para fim de maio, na região do Pier Mauá, no Rio. Seu idealizador, Marco Mazzola, diz que fará com sua equipe uma reunião na próxima terça. Se não teme prejuízos? “Prejuízo está ao lado de quando você quer fazer algo contra o que está acontecendo.”

Tedesco conta que a casa está contratando profissionais adicionais para “somar à nossa brigada a fim de higienizar a casa durante os shows limpando, além de banheiros, mesas, balcões, corrimãos e maçanetas, antes e depois dos espetáculos.” 

Poder público

Em entrevista ao Estado, o secretário de Cultura Sérgio Sá Leitão diz que não há, até o momento, nenhuma determinação do governo para que os eventos públicos nos aparelhos públicos sejam cancelados. “Todos os cenários foram cogitados por uma comissão que está sendo presidida pelo doutor David Uip. Vamos seguir as determinações do governo. Mas precisamos evitar o pânico, que pode ser tão perigoso quanto a doença.” Questionado se compareceria ao show dos Backstreet Boys no domingo, ele disse que não. “Mas vou à pré-estreia do musical de Donna Summer.”

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