Cida Moreira estréia temporada de shows nesta sexta-feira

Em Canções para Cortar os Pulsos, ela interpreta obra profunda de Tom Waits

Agencia Estado

12 Junho 2007 | 03h46

Já faz um tempo que o piano de Cida Moreira anda bebendo com Tom Waits (mas não só ele). O que resulta dessa convivência os paulistanos podem ver agora, no Viga Espaço Cênico. No show Canções para Cortar os Pulsos, que estréia temporada nesta sexta-feira, 1, Cida tem a companhia do ator, cantor, músico e roqueiro André Frateschi, que além de cantar com ela vai tocar violão e gaita. Ambos compartilham uma tremenda paixão pela música do poeta-compositor americano, identificada pela afinidade com a "metafísica de botequim" que reside em suas letras e na atitude. "Quem deu o título Canções para Cortar os Pulsos foi Luciano Alabarse, que me dirigiu em Porto Alegre", lembra Cida. "A gente tem uma idéia de que a música de Tom Waits não deixa você igual depois que você ouve, por razões estéticas, emocionais e de estranheza absoluta", justifica a cantora. "Quer dizer, temos a pretensão de achar que podemos encarar esse universo, do jeito que a gente é. É um tributo a ele." No repertório há desde temas antigos, como Ol’55 e Closing Time (do álbum de estréia, de 1973), One from the Heart, até recentes, como de Alice (2002). Não falta também o clássico cult Downtown Train, que se tornou hit depois da gravação de Rod Stewart. Cida e André interpretam todas as canções no original em inglês. "Até conheço algumas versões, mas no meu entender elas ficam muito aquém da força da linguagem do Tom, pelo tipo de música que ele faz", diz Cida. "Suas canções, principalmente as mais antigas, têm uma estrutura simples, os trabalhos mais recentes são mais sofisticados. O que é contundente é a palavra, as coisas em si que ele diz. Em português não fica bom, perde a característica principal." Além das letras, pesou na escolha do repertório a beleza das canções, como é o caso de Johnsburg, Illinois, uma das "pedradas" mais leves do roteiro. A outra é Tango Till There’re Sore, em que ele mais se parece com o alemão Kurt Weill (1900-1950), que Cida também cantou a vida inteira. "Tem essa história de ele ser o Kurt Weill da América", observa ela, que também afina com eles pela veia teatral. Projeto Enquanto Cida fica com a parte mais melódica, Frateschi se encarrega do lado mais rascante, em que pesa mais o temperamento de Waits. Intenso, mas com o cuidado de não cair na caricatura, já que sua voz soa parecida com a de Waits. "O que garante que a coisa não soe uma paródia do Tom Waits é a entrega Acho que essa é minha maior identidade com ele. Ele tem uma crueza que deixa todo mundo sem chão", aponta Frateschi. "O segredo também é buscar a ressonância que essa música tem dentro de mim, sem precisar agradar", diz o cantor, que é filho dos atores Celso Frateschi e Denise del Vecchio e, entre outras atividades, tem uma banda cover de David Bowie. "Ajuda muito estar com a Cida, que conheci fazendo Mahagonny (Brecht/Weill) com minha mãe e é um dos meus ídolos." O projeto do show surgiu em 2003, quando Cida foi a Buenos Aires participar de um festival de teatro. O diretor do evento a tinha visto cantar Tom Waits em Porto Alegre e a convidou para fazer um show inteiro com as canções dele. Bem-sucedido, o show passou depois por Porto Alegre e Florianópolis, além de correr o interior de São Paulo no início de 2004. Cida também tem planos de registrar o repertório do show em CD, mas não agora. Recentemente ela participou de um CD em tributo a Maysa, cantando "Adeus", e promete um álbum inteiro interpretando Cartola, a propósito do centenário de nascimento do compositor carioca, em 2008. Por falar em canções de cortar os pulsos... Cida Moreira e André Frateschi. Viga Espaço Cênico. Rua Capote Valente, 1.323, metrô Sumaré, 11-3801-1843. 6.ª e sáb., 21 h; dom., 19 h. R$ 50. Até 10/6

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