Ciclo revela o melhor do teatro francês contemporâneo

Jean-Paul Wenzel e Michel Deutsch são dois dramaturgos franceses ainda desconhecidos no Brasil. Bons dramaturgos. Vale a pena conhecer suas peças e suas idéias. Seus textos estão entre os cinco que serão lidos, em português, a partir de hoje, no Sesc Pinheiros, no ciclo de leituras dramáticas do programa Temporada de Teatro Francês Contemporâneo. Deutsch não só estará presente na leitura de sua peça, Uma Noite no Teatro, no dia 1.º, como ainda dirigirá uma oficina com atores brasileiros.Tabataba, de Bernard-Marie Koltès, e Carta aos Atores, de Valère Novarina, foram as peças escolhidas para abrir hoje o ciclo, cujo objetivo é difundir no Brasil a dramaturgia e o pensamento teatral da França atual. Beth Lopes, Eduardo Tolentino, Sérgio Ferrara, Marcos Damigo e Fernando Kinas são os diretores responsáveis pelas leituras, interpretadas também por atores brasileiros, sempre às segundas-feiras, de hoje até o dia 8, no Sesc Pinheiros.Molière, Antonin Artaud e Jean Genet são talvez os primeiros nomes que nos vêm à mente quando pensamos em teatro francês. Ou diretores como André Antoine e Jean-Louis Barrault. Entre os contemporâneos, poderíamos incluir o dramaturgo Bernard-Maria Koltès e os diretores Patrice Chéreau e Ariane Mnouchkine. Talvez essa lista só seja um pouco mais extensa entre criadores ou intelectuais envolvidos com a cena teatral. Por motivos variados, alguns artistas extrapolam fronteiras, outros não, em qualquer país.No entanto, os franceses vêm reunindo esforços para ampliar, entre nós, esse conhecimento. A Associação Francesa para a Ação Artística (AFAA), órgão ligado ao Ministério das Relações Exteriores, criou um projeto chamado Tintas Frescas, extensivo a toda a América Latina. Em linhas básicas, a idéia é buscar parcerias com instituições de cada país para promover espetáculos, exibição de vídeos, traduções e edições de peças, além de palestras e oficinas ministradas por diretores e dramaturgos franceses.No Brasil, o projeto ganhou o apoio do Sesc São Paulo em parceria com o Théâtre Nacional de la Colline. Coordenado pelo Consulado Geral da França, em São Paulo, com a colaboração da Delegação Geral das Alianças Francesas, as atividades do programa Temporada de Teatro Francês Contemporâneo começaram ano passado, com oficinas no Sesc Consolação de jovens dramaturgos como Gildas Milin e Benoît Lambert.No Sesc Consolação, o público poderá ver amanhã, às 21 horas, o resultado de uma oficina com atores e atrizes brasileiros, dirigida pela francesa Bérangère Jannelle. Nascida em 1977, em Paris, a atriz Bérangère fez sua primeira direção em 2000, do espetáculo Decameron, de Boccacio. No Brasil, escolheu trabalhar sobre o texto O Adversário, de Emmanuel Carrére. Trata-se de uma peça escrita a partir de um fato real - em janeiro de 1993, Jean-Claude Romand matou a mulher, seus dois filhos e seus pais antes de tentar o suicídio.Teatro Francês Contemporâneo. Leituras dramáticas: segunda, Carta aos Atores. De Valère Novarina. Direção Beth Lopes; Tabataba. De Bernard-Marie Koltès. Direção Marcos Damigo; dia 24/6, Longe de Hagondange. De Jean-Paul Wenzel. Direção Sérgio Ferrara; 1/7, Uma Noite no Teatro. De Michel Deutsch. Direção Fernando Kinas; 8/7 Inventários. De Philippe Minyana. Direção: Eduardo Tolentino. Às 21h. R$ 10,00. Sesc Pinheiros, Avenida Rebouças, 2.876, tel. 3815-3999.

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