Ciclo revela a Amazônia no cinema brasileiro

A Amazônia, um dos símbolos brasileiros recorrentes no imaginário internacional, fecundou também o imaginário de nossos cineastas. Hermano Penna, por exemplo, relacionou-se com a região na maioria de seus filmes de longa ou média-metragem. Tudo começou com Iracema, Uma Transa Amazônica, da dupla Bodanzky e Senna. Hermano estava entre os roteiristas do que foi eleito um dos 50 melhores filmes brasileiros (na mostra Cinema Novo and Beyond, organizada pelo MoMA de Nova York) e é o melhor e mais importante de nossos títulos ambientados na Amazônia.Depois de Iracema, Hermano realizou em Sergipe o denso Sargento Getúlio. Mas no ano seguinte, com Fronteira das Almas (1988), o realizador cearense-paulistano estava de volta ao coração da Floresta Amazônica. Buscou, ainda, a região de tantas árvores e rios para cenário da parte derradeira de Mário, seu terceiro longa. Iracema e Fronteira das Almas integram com mais 23 títulos (em película e vídeo), a mostra Amazônia.br, que ocupa o Sesc Pompéia até 18 de agosto. Nos próximos cinco fins de semana serão exibidos títulos famosos como Brincando nos Campos do Senhor, de Hector Babenco, e curtas ainda pouco conhecidos como Chama Verequete (da seleção oficial do próximo Festival de Gramado), Marias e Josés de Nazaré, de Úrsula Vidal, e Encanto, de Regina Jehá. Além do badalado e curiosíssimo As Mulheres Choradeiras, de Jorane de Castro, que representou o Brasil em Cannes, há três anos.No recheio da mostra amazônica, que tem curadoria do cineasta Francisco César Filho, há filmes para todos os gostos. A começar pelos ótimos documentários O Cineasta da Selva, de Aurélio Michiles, e No Rio das Amazonas, de Ricardo Dias, passando por Mamazônia, a Última Floresta, de Celso Luccas e Brasília Mascarenhas; Terceiro Milênio, de Bodanzky e Gauer (protagonizado pelo senador-pororoca Evandro Carrera) e desaguando no infantil Tainá, Uma Aventura na Amazônia, de Tânia Lamarca e Sérgio Bloch.Amanhã, fique de olho em Iracema, Uma Transa Amazônica. O nome da protagonista é um anagrama de América. A segunda parte do título cita a Transamazônica, estrada construída nos anos do Milagre Brasileiro. A base do filme é o cinema documentário, paixão maior de Jorge Bodanzky e parceiros. Captado em 16 mm, com apoio financeiro da ZDF alemã, o filme correu mundo e ganhou 17 prêmios internacionais.

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