Ciclo no MIS resgata o alemão Werner Schroeter

Há controvérsia se a paixão de Werner Schroeter era a ópera ou a diva Maria Callas. Uma e outra o levaram ao cinema, e seus primeiros filmes eram curtas em 16 mm cujo objetivo parecia ser querer eternizar a persona - as performances - da sublime Maria. Quando começou a fazer longas, Schroeter assimilou códigos narrativos de óperas famosas. Os críticos, inicialmente, não sabiam como reagir perante seus assumidos excessos estilísticos, mas ele terminou por se impor e obter reconhecimento. Ganhou o Urso de Ouro no Festival de Berlim por Palermo oder Wolfsburg e o Teddy Bear, o Urso gay, em 2010, no ano de sua morte.

LUIZ CARLOS MERTEN, Agência Estado

30 de julho de 2013 | 11h01

Embora sua iniciação tenha sido um pouco mais tardia - Eika Katappa é de 1969 -, Werner Schroeter não deixa de pertencer à geração que mudou o cinema alemão nos anos 1960. É tempo de lembrá-lo num ciclo que começa nesta terça-feira, 30, no Museu da Imagem e do Som. No começo daquela década, em Oberhausen, os jovens firmaram um documento anunciando o tipo de cinema que queriam fazer. Influenciados pela Nouvelle Vague francesa, sua agenda privilegiava a autoria e a ênfase nas questões sociais e políticas.

Volker Schlöndorff, Alexander Kluge e Werner Herzog foram os arautos daquela geração e no seu bojo vieram Wim Wenders e Rainer Werner Fassbinder. Werner Schroeter e Rosa von Praunheim, outro vencedor do Teddy Bear, seguiram trajetórias mais alternativas. Schroeter triunfou primeiro na Dokumenta de Kassel, com A Morte de Maria Malibran, em 1972. Cinema, ópera, o expressionismo reinventado, num excesso de fazer autores como Ken Russell e Baz Luhrmann parecerem acadêmicos. Cinco anos mais tarde, há uma ruptura com Os Irmãos Napolitanos, documentário que acompanha a vida pobre (miserável?) dos irmãos do título. Quase como um desdobramento dessa experiência, Palermo oder Wolfsburg, mais três anos depois, investiga a dura vida de emigrantes italianos na Alemanha.

MOSTRA WERNER SCHROETER - MIS. Avenida Europa, 158, Jardim Europa, De 30/7 a 7/8. Grátis. www.mis-sp.org.br

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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