Ciclo de peças e debates festeja legado de Augusto Boal

Reconhecido internacionalmente, Augusto Boal ocupa um lugar único no teatro nacional. Em 1960, revolucionou a cena ao dirigir o Teatro de Arena, mudou as feições da nossa dramaturgia e concebeu uma metodologia de trabalho, o Teatro do Oprimido, que ainda hoje corre o mundo. Por tudo isso, o diretor e teórico merece todas as honras e homenagens. Mas não é propriamente como um festejo que foi concebida a programação que o Sesc Pompeia abre nesta terça-feira.

AE, Agência Estado

13 de novembro de 2012 | 10h17

Com curadoria do diretor Sérgio de Carvalho e da psicanalista Cecília Boal, viúva do artista, o evento Pompeia Conta Boal tem a intenção de trazer para a ordem do dia ideias e conceitos formulados por Boal. "Mais do que homenagear, o objetivo era trazer o trabalho do Boal para ser utilizado como uma ferramenta de trabalho para os artistas de hoje", diz Carvalho. "Os encontros também foram concebidos pensando em aproximar diferentes gerações."

Em uma série de palestras, leituras e debates, antigos parceiros do diretor - morto em 2009 - estarão misturados a jovens criadores, novos representantes do teatro político que se pratica hoje no País. Será dessa maneira que nomes como Lauro César Muniz, Benedito Ruy Barbosa e Lima Duarte poderão conviver e trocar experiências com Georgette Fadel, Isabel Teixeira e Marco Antonio Rodrigues. "Boal sempre esteve interessado no que as outras gerações estavam fazendo. Até o fim, permaneceu aberto e curioso", observa Cecília.

Durante o ciclo, que se estende até 13 de dezembro, as obras mais marcantes de Augusto Boal estarão contempladas. Não faltarão, porém, descobertas recentes feitas dentro do arquivo do artista, hoje sob a guarda da UFRJ. Depois de quase deixar o País, a coleção agora abrigada no Rio está sendo catalogada, e deve ser submetida, em breve, a trabalhos de digitalização e organização.

Para abrir a extensa agenda, haverá nesta terça, às 21 h, uma leitura cênica de "Revolução na América do Sul". Inovador, o texto marcou época ao sinalizar a aproximação de Boal com o teatro épico de Bertolt Brecht. Também surpreendia por sugerir uma apropriação das formas do teatro popular brasileiro, como as revistas musicais. Quem conduz a leitura é o curador Sérgio de Carvalho, que elencou para a tarefa o seu grupo, a Cia. do Latão, o coletivo de cultura do MST, além de convidados especiais, como João Pedro Stédile e Nelson Xavier. Confira abaixo alguns destaques da programação. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

PROGRAMAÇÃO

- Revolução na América do Sul:

Leitura cênica do texto de Augusto Boal. Direção Sérgio de Carvalho, com João Pedro Stédile e Nelson Xavier. Dia 13, às 21 h

- Arena Conta Zumbi:

Espetáculo com direção de João das Neves. Estreia dia 16, às 21 h

- Teoria e Prática do Seminário de Dramaturgia do Arena:

Palestra com os dramaturgos Lauro César Muniz, Chico de Assis e Benedito Ruy Barbosa. Dia 15, às 19 h

- Opinião de Boal:

Leitura de escritos ficcionais e teóricos. Com Milton Gonçalves, Isabel Teixeira, Cecília Boal, Rodrigo Bolzan e Danilo Grangheia. Direção de Marco Antônio Rodrigues. Dia 17, às 18 h

POMPEIA CONTA BOAL

Sesc Pompeia (Rua Clélia, 93). Tel. (011) 3871-7700. De 13/11 a 14/12. R$ 20.

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