Ciclo de leitura propõe discussão sobre a comédia

Inspirados num projeto de dramaturgia do Ágora, Centro de Pesquisas Teatrais, o grupo Parlapatões convidou autores para criar peças curtas que servissem de base para uma reflexão sobre o humor. Os autores deveriam responder, com teatro, perguntas como: O riso transforma? Reforça preconceitos? A comédia é gênero maior que a tragédia? O humor está a serviço da indústria do entretenimento? Humor é distração? Faz pensar? O riso é importante? As peças/respostas desse projeto batizado de Avesso da Comédia/Comédia do Avesso começam a ser conhecidas no ciclo de leituras dramática, que será aberto nesta segunda-feira, 12, com Três Esgares Cômicos, de Luis Alberto de Abreu. "Queremos que seja uma noite de abertura com todos os envolvidos presentes", diz Hugo Possolo, ator e fundador do grupo Parlapatões. E não são poucos. Cada peça terá um diretor diferente, o desta segunda será Alexandre Reinecke. Ao fim de cada leitura, organizadores e público debatem sobre a peça. "O que interessa mesmo é discutir o humor", diz Possolo. Abreu antecipa que sua peça traz três flagrantes do cômico. "São três pequenas cenas, criadas em três linguagens diferentes: melodrama, nonsense, absurdo. Nada complicado, apenas três possibilidades", diz Abreu. Hugo arrisca uma análise sobre o texto. "Não estou autorizado a falar pelo Abreu, mas acho que ele aborda três pontos de vista sobre a comédia: o riso transformador versus o que reforça preconceitos, num contraponto entre o riso moral, amoral e o imoral." Já o autor garante que não buscou meta tão ambiciosa. "O importante é a boa discussão que pode nascer dessas peças", diz. Ele lembra que a corrosão é característica fundamental do riso, a capacidade de destruir o poder estabelecido, de fazer terra arrasada de tudo, daí seu poder regenerador, porque obriga à reconstrução sobre outras bases. "Mas qual o sentido do humor atual? Qual a comédia que não é absorvida? Que tipo de comicidade ainda é capaz de escandalizar sem perder suas características? Sim, porque arte é forma, refinamento, elaboração", lembra. "As comédias que nós estamos fazendo infundem medo? Se formos analisar a fundo, acho que 80% do que sabemos não serve mais. Inclusive as minhas três cenas. São muito mansas. Temos de reinventar a comédia." Março Hoje - Luís Alberto de Abreu Dia 26 - Noemi Marinho Abril Dia 9 - Flávio de Souza Dia 23 - Jandira Martini Maio Dia 7 - Naum Alves de Souza Dia 21 - Hugo Possolo Junho Dia 4 - Mário Viana Dia 18 - Aimar Labaki Julho Dia 9 - Mário Bortolotto Dia 23 - Juca de Oliveira Local: Parlapatões. Praça Franklin Roosevelt, 158, telefone (11) 3258-4449. Sempre às segundas, às 21 horas. Grátis.

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