Ciclo de debates celebra 75 anos do clássico 'Angústia'

A vida foi a grande inspiração para o escritor Graciliano Ramos (1892-1953). Ele nasceu em Quebrangulo, interior de Alagoas, onde a água era pouca e a fome, muita. Tais condições talharam sua alma de forma permanente, influenciando sua obra, composta por observações colhidas da vivência pessoal e marcada pela rudeza da paisagem nordestina. Sob um estilo severo de escrever, Graciliano conseguiu um equilíbrio profundo entre a investigação psicológica e a situação social de seus personagens.

AE, Agência Estado

20 de setembro de 2011 | 11h04

É o caso de "Vidas Secas" e "São Bernardo", entre outros, e também de "Angústia", que acaba de ganhar pela Record uma edição especial por conta dos 75 anos de lançamento. A obra traz posfácios de Otto Maria Carpeaux e Silviano Santiago, além de apresentação de Elizabeth Ramos, professora de literatura e neta de Graciliano.

Publicado em 1936, quando o escritor estava preso por conta da arbitrária repressão getulista ao levante comunista de outubro de 1935, "Angústia" tem uma estrutura de autobiografia, o que leva até a considerá-lo como espécie de diário íntimo. Narrado em primeira pessoa, o livro acompanha a rotina de Luís da Silva, funcionário público pobre e rancoroso que, por conta disso, torna a escrita nebulosa e delirante.

"Angústia funda-se na construção da intimidade", escreveu o professor Ivan Teixeira, em artigo publicado pelo jornal O Estado de S. Paulo em 2000. "Manifesta-se sob a forma de relato desesperado de um intelectual sem vocação para o crime, mas que, levado pelo ciúme e pelo desejo de justiça, assassina o homem que roubou sua amada. Depois, levado pela necessidade de confissão, escreve a história do próprio crime, em cujo texto projeta a mesma atmosfera de delírio e fragmentação psicológica que praticamente o conduzira à loucura."

Tais características certamente vão ser discutidas no ciclo de debates que começa hoje, a partir das 10h, com entrada gratuita, no prédio de Ciências Sociais e Filosofia da USP (Av. Luciano Gualberto, 315, sala 8), e será aberto com um depoimento do crítico Antonio Candido. O seminário segue depois para outras cidade - detalhes no site www.gracilianoramos.com.br. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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