Cia. Rosas da Bélgica chega a SP

As apresentações de Rain, do Grupo Rosas, no Rio, arrastou um público eclético para o Teatro Municipal. De senhoras da alta sociedade, habitués do local, aos fãs comuns dos espetáculos de dança contemporânea, com cabelos coloridos e roupas extravagantes, e ainda, crianças e idosos, todos animados para conferir uma das cias. mais badaladas da Europa. O Rosas apresenta-se sábado e domingo na cidade, depois segue para Belo Horizonte (no Palácio das Artes dia 10) e Porto Alegre (no Teatro do Sesi, dia 12), na turnê patrocinada pela Embratel e apoio da Phebo e KPMG.Rain foi concebido pela coreógrafa e diretora da cia., Anne Teresa de Keersmaeker, em 2001, a partir da trilha Music for 18 Musicians, de Steve Reich. A coreógrafa elaborou gestos e movimentação no palco com precisão matemática, uma influência do tempo em que ela estudou na Mudra, escola de Maurice Bèjart, no início dos anos 80. Anne fundou sua cia. em 1982 e foi uma das responsáveis pelo boom mundial da dança belga.Anne Teresa revolucionou a dança contemporânea, gravou seu nome na história das artes cênicas do século 20. Também é diretora artística da escola PARTS (Performance and Arts Researching Training Studios), o sonho de estudantes de todo o mundo. A PARTS preencheu uma lacuna deixada pela Mudra. Lá, os estudantes recebem aulas diversas, do balé clássico ao contemporâneo, passando pela ioga e shiatsu. A proposta é formar artistas completos. O rigor marca a atuação da escola e da cia.Rain conta com dez bailarinos para investigar as possibilidades do encontro entre a dança e a música. "A partir da música, Anne criou uma frase coreográfica, com movimentos mínimos inspirados na composição minimalista de Reich", explica a bailarina francesa Alix Eynaudi. "A partir dessa mesma frase, ela elaborou solos, duos, trios, e assim por diante. A música foi o fio condutor para a execução das combinações de gestos." A coreografia também pontua o interesse de Anne pelo diálogo entre dança e texto. Rain é título também do conto de Kirsty Gunn, que fala sobre infância e morte. A linguagem jovial, aliada à música de Reich, resultou em cenas com movimentos fortes e um bom lugar reservado à emoção. O figurino, de Dries Van Noten, foi elaborado com tons pastel, a mesma suavidade presente em bolhas de sabão."Sempre fico chocada com a riqueza de detalhes, um trabalho simples e ao mesmo tempo profundamente elaborado. A sutileza das cores pontua o espetáculo, da mesma forma que fez anteriormente com Drumming", diz a coreógrafa brasileira Dani Lima. Sob o mesmo impacto, a também coreógrafa brasileira Marcia Milhazes destaca o conjunto de idéias presentes no palco. "A sofisticação desse espetáculo mostra-se em sua simplicidade. Ao mesmo tempo que possui rigor técnico, apresenta cenário, música e figurino que completam-se. Idéias muito boas e impressionante."Serviço - Cia. Rosas da Bélgica. Sábado, às 21 horas; domingo, às 18 horas. De R$ 20,00 a R$ 110,00. Teatro Municipal. Praça Ramos de Azevedo, s/n.º, tel. 222-8698

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